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Guterres contra saída dos capacetes azuis

O secretário-geral da ONU, António Guterres, considerou um “suicídio” retirar os capacetes azuis da Republica Democrática do Congo (RDC).

Fotografia: Dr

Em declarações à RFI, em Kinshasa, o responsável da ONU reforçou que “abandonar a RDC seria “suicidário”, do ponto de vista não apenas dos congoleses, mas, principalmente, dos interesses da comunidade internacional”.
O diplomata português ao serviço da ONU, em declarações na terça-feira, considerou que a milícia ugandesa, ADF-NALU, que aterroriza o Leste da RDC, assemelha-se aos grupos islamistas armados em África.
“Do meu ponto de vista, hoje, a ADF faz parte de uma rede que começa na Líbia, passa pelo Sahel, pelo Lago Chade, e que agora está presente em Moçambique”, indicou. Guterres disse não saber se existe uma “ligação formal” entre as ADF e o Estado islâmico, que reivindicou alguns ataques na região congolesa de Beni, Leste da RDC. Mas, acrescentou, existem “contactos reais”, com os recrutamentos de milicianos em Moçambique”.
Relativamente às forças africanas anti-terroristas G5 Sahel, compostas por tropas burkinabes, nigerinas, mauritanas e chadianas, desejou que as mesmas sejam também financiadas.
“Defendo o financiamento do G5 Sahel pela ONU, com contribuições obrigatórias”, sublinhou, embora reconheça não ser o suficiente. Para o líder da ONU, a guerra contra o terrorismo, no Sahel, está a ser perdida.
“Espero pelas propostas concretas à comunidade internacional, durante a próxima reunião dos países da África Ocidental, em Ouagadougou, porque é preciso olhar a ameaça do terrorismo numa escala continental”, concluiu.
Durante uma conferência de imprensa, terça-feira, na cidade capital congolesa, Guterres indicou ter exprimido, ao Presidente Félix Tshisekedi, a esperança de ver um Governo preocupado em ver a RDC transformada, “com uma oposição que também desempenhe um papel importante na vida política, com um respeito acrescido pelos direitos e tenha uma visão para o futuro do país”.
O SG da ONU pediu à comunidade internacional para apoiar o povo da RDC e às autoridades, para aproveitarem a oportunidade de reforçar as suas instituições, enfrentarem desafios de segurança e humanitários e trabalharem para o desenvolvimento sustentável.
Anunciou que a Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização da RDC vai reforçar a sua capacidade de acções contra o grupo armado ADF, com vista a responderem melhor às preocupações de segurança levantadas pelas populações.

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