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Inquérito do Governo para travar a barbárie

O Governo de Unidade Nacional (GUN) líbio anunciou ontem a abertura de um inquérito aos casos de escravatura detectados próximo de Tripoli e denunciados num documentário da cadeia de televisão CNN.

Milhares de africanos protestam contra a barbárie na Líbia
Fotografia: Geoffroy Van Der Hasselt | AFP

O Governo manifesta, em comunicado,  descontentamento pela série de documentários divulgada na semana passada  e que dá conta do “reaparecimento do comércio de escravos num bairro dos arredores” da capital líbia, e anuncia que vai nomear uma comissão de inquérito para os averiguar, com o objectivo de “deter os responsáveis e levá-los à Justiça”. O conjunto de reportagens a mostrar imagens da venda de migrantes, na maioria oriundos da África Subsaariana, provocou forte indignação da comunidade internacional, sobretudo de países africanos.
O presidente em exercício da União Africana, Alpha Condé, e o Senegal condenaram o “comércio abjecto de migrantes” reinante na Líbia e o presidente do Níger exigiu um debate sobre o tema na cimeira União Europeia - União Africana que decorre em Abidjan no final do mês. Alpha Condé, em comunicado, pediu às autoridades líbias para abrirem um inquérito destinado a encontrar os responsáveis e obrigá-los a comparecer perante a justiça, ao mesmo tempo que exigiu uma revisão das condições dos centros de detenção de migrantes.
“Estas práticas de escravatura moderna devem acabar e a União Africana vai usar todos os meios à sua disposição para que tal ignomínia jamais se repita”, prometeu a Presidência da UA.
A situação foi denunciada pelo Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Al-Hussein. Numa das reportagens, vêem-se dois jovens encarcerados numa jaula, e se ouve uma voz a anunciar a venda de “jovens fortes” para trabalhos agrícolas e outros a troco de 1.200 dinares líbios, equivalente a 340 euros cada um.

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