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Já há um novo Governo nomeado para a RDC

Depois de mais um fim-de-semana de intensas negociações, eis que ontem de manhã foi, finalmente, anunciada, em Kinshasa, a nomeação de um novo Governo para a República Democrática do Congo, país que estava em liderança governativa interina desde as eleições de Dezembro.

Presidente Félix Tshisekedi com ex-Chefe de Estado da RDC
Fotografia: Dr

Segundo a AFP, o novo Executivo congolês será composto, como já se esperava, por 65 pessoas, 76,9 por cento das quais não têm uma experiência governativa “significante”, tendo a demora na divulgação resultado de profundas divergências entre as coligações lideradas pelo Presidente Félix Tshisekedi e por Joseph Kabila, sobretudo, no que toca à liderança das pastas das Finanças, Minas, Defesa, Negócios Estrangeiros e Economia.
Para solucionar o problema, as equipas que representavam os dois líderes ao longo das demoradas negociações optaram por apresentar nomes até agora um pouco distanciados da opinião pública e da esfera governativa, de modo a retirar-lhes um cunho demasiado político.
Como havia sido anteriormente acordado entre as duas coligações, a de Joseph Kabila terá 42 postos ministeriais e a de Félix Tshisekedi apenas 23, o que reflecte a votação final das eleições legislativas, para permitir a aprovação do programa de Governo, no Parlamento, sem grandes  constrangimentos.
Como grande novidade, surge, à frente da pasta das Finanças, José Sele Yalaghuli, antigo director do gabinete de ex-Primeiro-Ministro, Matata Ponyo. Outra surpresa é a decisão de o Ministério da Justiça ser liderado por Célestin Tunda ya Kasende, antigo secretário-geral-adjunto do Partido do Povo Para a Reconstrução da Democracia, de Joseph Kabila.
Num Executivo que na composição terá 17 por cento de mulheres, à frente dos Negócios Estrangeiros aparece Marie Tumba Nzeza, quadro da coligação do Presidente Félix Tshisekedi, que também indicou para o Ministério do Interior o nome de Gilbert Kankonde.
Jean Baudoin Mayo Mambeke, um dos principais negociadores do campo presidencial, foi nomeado vice-Primeiro-Ministro do Orçamento. O antigo governador do Kivu do Norte, Julien Paluku Kahongya, vai ocupar a pasta da Indústria, enquanto Aimé Ngoy Mukena é o novo ministro da Defesa.
Este Governo deverá tomar posse no Parlamento durante uma sessão extraordinária já marcada para o próximo dia 7 de Setembro.

Pontos de divergência

A imprensa congolesa noticiava ontem que a principal razão para a demora da nomeação do Governo esteve, aparentemente, na recusa do Presidente Tshisekedi em aceitar grande parte dos nomes sucessivamente propostos por Jo-seph Kabila.
A situação começou-se a desbloquear quando os dois líderes chegaram a um acordo para a nomeação de Sylvestre Ilunga como Primeiro-Ministro e este impôs uma série de condições para a escolha dos membros que poderiam fazer parte do Executivo.
Depois de ter ficado acordado que os futuros ministros não poderiam ter condenação judiciária no país ou no estrangeiro e que as listas propostas pelas duas coligações deveriam espelhar algum equilíbrio entre políticos experientes e menos experientes, a escolha ficou mais fácil.
Numa conferência de im-prensa, realizada em Kinshasa no dia 20 deste mês, responsáveis da coligação de Joseph Kabila garantiram que a sua lista iria privilegiar uma renovação geracional, de modo a enterrar todos os “fantasmas do passado.”
A imprensa congolesa revelou, ainda ontem, que a atribuição das pastas dos Negócios Estrangeiros, Interior e Economia foram as que motivaram maiores discussões.

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