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Jean-Pierre Bemba chama “ilusão” ao novo Governo

Jean-Pierre Bemba, presidente do MLC e coordenador da Lamuka, qualificou o novo Governo “uma ilusão”, receando que não possa vir a trazer a tão esperada mudança.

Líder do Movimento de Libertação do Congo coloca em dúvida estabilidade governativa
Fotografia: Dr

“Como responder às necessidades prementes do povo congolês? Como fazer frente às questões sanitárias, económicas, sociais e de segurança da RDC?”, interrogou numa publicação na sua conta do Twitter, ontem, divulgada pela AFP.
Quem também tem dúvidas é a secretária-geral do partido congolês da oposição Movimento para a Libertação do Congo (MLC), Eve Bazaiba, que considerou à Rádio Okapi que o Governo, anunciado na segunda-feira, resultou de “um favorecimento eleitoral”, revelou a AFP.
“Este é um Governo baseado num favorecimento eleitoral. Do ponto de vista social, ousamos acreditar que eles estarão à altura, mas receio que seja um Governo que irá implementar o programa da Frente Comum para o Congo (FCC) que a população rejeitou. Os que pensam que ascenderam à Presidência para mudar o rumo das coisas, serão forçados a optar pela continuidade”, sublinhou a líder partidária.
Bazaiba, cujo partido integra a coligação Lamuka, que apoiou Martin Fayulu nas presidenciais de Dezembro de 2018, apelou às mulheres nomeadas para serem uma excepção na gestão dos assuntos do Estado. “As mulheres promovidas devem perceber que ser quadro é um encargo e não um privilégio. Foram-lhes confiadas responsabilidades num momento e ambiente muito difícil. Elas têm a responsabilidade de elevar bem alto a chama da mulher congolesa em termos de governação. Elas devem marcar o seu trabalho com uma gestão diferente”, aconselhou Eve Bazaiba, citada pela estação de rádio Okapi.
O Presidente congolês, Félix Tshisekedi, nomeou, na segunda-feira, o primeiro Governo do seu mandato, sete meses após a tomada de posse na Presidência da RDC.
Com base num acordo concluído entre a coligação do ex-Presidente Joseph Kabila, que beneficia da maioria no Parlamento, e do campo de Tshisekedi, o Governo, nomeado por despacho presidencial de 26 de Agosto de 2019, é composto de 65 membros, incluindo 42 da maioria pró-Kabila, reunidos no seio da FCC e 23 provenientes do Conjunto para a Mudança (CACH) de Félix Tshisekedi. Num outro desenvolvimento, o bispo da diocese de Kilwa-Kasenga, província do Alto Katanga, denunciou a exploração ilegal da madeira vermelha, por empresas chinesas.
Num comunicado, o bispo Fulgence Muteba acusa os chineses de explorar ilegalmente madeira vermelha em Miondo, uma das localidades do território de Kasenga, situado na província do Alto Katanga.
A diocese considera um “desastre ecológico” a exploração da madeira vermelha, feita com a cumplicidade de elementos próximos do Governo congolês.
“Enquanto o mundo inteiro luta contra a destruição, pelas chamas, da Amazónia, perto de nós está em curso uma catástrofe ecológica, no coração da floresta de Miondo, província do Alto Katanga, onde decorrem intensas actividades anárquicas.”, lê-se no comunicado.
Esta representação católica acusa os chefes tradicionais do território de Kasenga de cumplicidade com os autores da exploração ilegal, que os corrompem, para terem acesso à floresta.
Na República Democrática do Congo é expressamente proibida a exploração da madeira vermelha.
O opositor político congolês Moïse Katumbi foi o primeiro a condenar a actividade, acusando directamente o ministro do Am biente que, segundo ele, terá autorizado os empresários chineses a explorar tal espécie de madeira.

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