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José Maria das Neves pensa concorrer em 2021

O ex-Primeiro-Ministro cabo-verdiano José Maria Neves disse ontem que é uma “possibilidade muito forte” ser candidato a Presidente da República nas eleições de 2021, garantindo que já está “a trabalhar para transformar essa possibilidade em certeza”.

Fotografia: DR

“Eu diria que a possibilidade é muito mais forte de ser candidato a Presidente da República. É uma possibilidade forte, estou a trabalhar para transformar essa possibilidade em certeza e hoje essa possibilidade é muito mais forte do que era antes”, afirmou José Maria Neves, admitindo, ainda assim, que está em processo de “reflexão”.
Em entrevista à agência Lusa, na cidade da Praia, o ex-Primeiro-Ministro (2001-2016) e ex-líder do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), recordou que uma candidatura presidencial em Cabo Verde, “agora mais do que nunca, é muito exigente”, face aos “desafios actuais”, nacionais e internacionais, mas admite que os cabo-verdianos precisam de “um líder da Nação”.
“Uma candidatura presidencial tem de ser suprapartidária, então vai exigir um trabalho mais alargado, mais amplo. Mas estou nesta fase a trabalhar para transformar essa possibilidade numa certeza”, reforçou José Maria Neves, 59 anos, actualmente professor universitário.
O docente disse que o país “precisa de um árbitro, capaz de unir os cabo-verdianos” e de “romper” com a “forte crispação política” actual. “Que possa trabalhar para reforçar a confiança mútua entre os diferentes partidos políticos cabo-verdianos e que possa ser efectivamente, pela influência, pelo poder de mensagem, um moderador de todo o sistema político cabo-verdiano. Capaz de conciliar, de advertir quando for necessário, mas sobretudo capaz de integrar, de unir, de estabelecer pontes, compromissos e de mobilizar a Nação para enfrentar com sucesso os desafios”, afirmou.
A dois anos das eleições, José Maria Neves, um dos históricos do PAICV, o maior partido da oposição, afirma que para já pretende “continuar a analisar a evolução da situação política” do país e o “comportamento dos diferentes partidos políticos”.
Questionado pela Lusa, José Maria Neves assume que para esta candidatura será “essencial” ter o apoio do PAICV, mas também de outros partidos. “Tendo sido dirigente do PAICV, tendo sido também por quase 40 anos militante do PAICV, acho que seria quase que natural esse apoio, mas isso vai depender dos órgãos do partido. Mas eu gostaria que, se me candidatasse, que essa candidatura fosse suprapartidária”, insistiu.
Cabo Verde deve realizar eleições presidenciais na segunda metade de 2021, às quais já não concorre Jorge Carlos Fonseca, que cumpre o segundo mandato como Presidente da República. José Maria Neves, que é presidente da fundação com o mesmo nome, que criou em 2017, na cidade da Praia, afirma que Cabo Verde tem, neste momento, uma “grande ânsia” e “está expectante e ansioso”, clima que envolve os partidos, os líderes locais, a sociedade civil e os cidadãos, passando ainda pela diáspora e pelos empresários.

 

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