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Mais de 700 homicídios cometidos por crianças

Mais de 700 homicídios na África do Sul foram cometidos por crianças, disse ontem no Parlamento o vice-ministro da Polícia sul-africano, Casses Mathale.

Um clima de medo estalou-se no país devido à violência
Fotografia: DR

Segundo os dados divulgados pelo governante no Parlamento, 736 homicídios foram perpetrados por crianças e registaram-se mais de 899 delitos de cariz sexual.
A Polícia registou "mais 29 homicídios de crianças" relativamente ao ano anterior, disse Mathale.
Na apresentação dos dados estatísticos anuais 2018-19 ao comité parlamentar responsável pela pasta da Polícia, transmitida pela televisão sul-africana, o ministro da Polícia, Bheki Cele, disse que as prioridades da Polícia são o combate ao crime contra mulheres e contra o clima de medo que se vive no país.
"Existe um sentimento de medo em todos os lares", sublinhou Bheki Cele.
De acordo com o ministro, houve, nos últimos dez anos, "altos e baixos níveis de criminalidade e alturas em que o número de homicídios foi baixo, uma tendência que, infelizmente, não conseguimos manter".
Na generalidade, a Polícia anunciou um aumento entre os 17 crimes mais reportados comparativamente a 2017, dos quais 21.022 homicídios (1,4 por cento), 52.420 delitos de índole sexual incluindo violações (4,6 por cento), 51.765 roubos comuns (2,3 por cento) e 140.032 roubos com circunstâncias agravadas.
Segundo a Polícia sul-africana, o crime é 60 por cento mais acentuado durante o fim- de- semana, entre sexta-feira e domingo.
As províncias mais afectadas no país são Gauteng, Kwazulu-Natal, Western Cape, e Mpumalanga.
Segundo os mesmos dados, 28 polícias foram assassinados em serviço, enquanto na província do KwaZulu-Natal 49 agentes policiais foram assassinados "em dias de folga", segundo a SAPS.

Xenofobia
O primeiro dos voos programados para repatriar os 640 nigerianos residentes na África do Sul, por vontade própria, para fugir dos ataques xenófobos, ocorridos nos últimos dias, regressou hoje a Lagos, segundo noticiou a Reuters.
Este primeiro avião, que deixou o Aeroporto Internacional Oliver Tambo com várias horas de atraso devido a problemas com a documentação de alguns dos passageiros, descolou com 317 pessoas, confirmou o ministro das Relações Exteriores nigeriano, Geoffrey Onyeama, na conta do Twitter.
As operações de repatriamento continuarão nos próximos dias, até à saída dos 640 imigrantes nigerianos que tinham informado o consulado do país sobre a intenção de deixar a África do Sul.
Os voos são gratuitos graças a uma iniciativa da empresa privada nigeriana Air Peace, que disponibilizou os aviões após os episódios de violência. A comunidade nigeriana - que é frequentemente associada ao crime na África do Sul - foi precisamente uma das mais afectadas pelos saques e distúrbios que tiveram início no dia 1 em várias zonas de Joanesburgo.

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