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Manifestantes voltam a protestar nas ruas

Centenas de sudaneses concentraram-se ontem de manhã em Cartum para recordar os manifestantes mortos em Junho, mantendo-se a tensão apesar do recente acordo de divisão de poder entre o Conselho Militar de Transição (CMT) e o movimento de contestação.

Sudaneses em Cartum homenagearam civis mortos em Junho
Fotografia: DR


De acordo com a agência noticiosa Associated Press, a Associação de Profissionais Sudaneses, que liderou meses de protestos e que convocou esta manifestação, a segunda pelas mesmas razões no prazo de uma semana, referiu que as forças de segurança lançaram gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes mas não refere a existência de feridos graves.
Os militares destituíram do poder o Presidente Omar al-Bashir, em Abril, mas os manifestantes permaneceram nas ruas, onde apelam para uma transição rápida para o Governo civil.
As organizações responsáveis pelos protestos acusam os militares de matar pelo menos 128 pessoas durante as manobras de repressão das manifestações em Junho, um número rejeitado pelas autoridades, que registaram 61 mortos, entre os quais três membros das forças de segurança. Desde então, ocorreram mais mortes em novos protestos, no final do mês passado.
Na quarta-feira, o CMT sudanês e o movimento de contestação que pede uma liderança civil assinaram na cidade de Cartum um documento que estabelece os contornos para um acordo de partilha de poder.
O documento assinado pretende estabelecer um conselho soberano conjunto entre civis e militares e que deverá governar o Sudão durante cerca de três anos, até às próximas eleições.
Este conselho soberano de onze membros seria encabeçado por um militar nos primeiros 21 meses e por um líder civil nos 18 meses seguintes. O acordo representa uma cedência de uma das principais reivindicações dos manifestantes, que exigiam uma passagem imediata do poder para os civis.

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