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Militares e civis iniciam a transferência do poder

Os militares no poder no Sudão e representantes do movimento civil de contestação assinaram, sábado, em Cartum, um acordo que abre caminho à transferência do poder para os civis.

Conselho de transição alcança acordo para a estabilização
Fotografia: DR

O acordo foi assinado pelo “número dois” do Conselho Militar, Mohammed Hamdan Daglo, e pelo representante da plataforma civil, a Aliança para a Liberdade e a Mudança, Ahmed Al-Rabie, na presença de vários dignitários estrangeiros.
A assinatura marca o fim de semanas de difíceis negociações, mediadas pela União Africana (UA) e pela Etiópia, que permitiram, no princípio de Agosto, um acordo entre as duas partes para um documento constitucional, o qual foi agora ratificado oficialmente.
Mohammed Naji al-Assam, líder do movimento de contestação, considerou que o acordo representa “uma nova página” na História do país, depois de três décadas de “repressão e corrupção”.
O acordo cria um Conselho Soberano integrado por seis civis e cinco militares, que deverá liderar o país durante três anos e três meses, até à realização de eleições.
O Conselho será presidido por um militar nos primeiros 21 meses e por um civil nos restantes 18.
O acordo prevê também a formação de um Governo nomeado pela plataforma civil e a constituição, no prazo de três meses, de uma assembleia legislativa, em que o movimento de protesto terá a maioria.
As Forças para a Declaração da Liberdade, uma coligação de partidos da oposição e movimentos de contestação, nomearam um economista com experiência em organizações internacionais, Abdalla Hamdok, para liderar o Governo de transição, mas o nome ainda tem de ser confirmado pelo Conselho Soberano.

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