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Militares suspendem negociações por 72 horas

Victor Carvalho

As negociações entre militares e civis, para a conclusão da criação de um órgão para gerir a transição do poder no Sudão, foram ontem suspensas por 72 horas devido à degradação das condições de segurança em Cartum, onde desde quarta-feira já morreram seis pessoas.

Conselho Militar de Transição preocupado como o aumento da violência e instabilidade
Fotografia: DR

Num discurso proferido através da televisão pública, o general Abdel Fattah al-Burhane, líder do Conselho Militar de Transição, anunciou a decisão garantindo que esta suspensão não vai anular os avanços já feitos em relação aos mecanismos e aos órgãos que vão gerir o país até às próximas eleições.

Os militares e os líderes dos movimentos civis de contestação estavam nesta altura a discutir a composição de um Conselho Soberano, instituição que dirigirá o país por um período de três anos, depois de terem igualmente chegado a um entendimento sobre a formação de uma assembleia legislativa.
A suspensão das negociações por 72 horas, agora anunciada pelos militares, deverá ser aproveitada, de acordo com o general Abdel Fattah al-Burhane, para que os movimentos civis levantem as barricadas que montaram nalgumas ruas de Cartum e que reabram uma linha de caminho-de-ferro que liga a capital ao resto do país.
Segundo o líder dos militares, a degradação da situação de segurança no país começou com uma escalada verbal contra as Forças Armadas, que levaram a população a vê-las como uma “força inimiga”, seguindo-se depois uma série de medidas como a criação de barricadas e a interrupção da livre circulação de pessoas e bens que “constituem um desafio à ordem pública.”
O general Abdel Fattah al-Burhane defendeu a intervenção musculada da Polícia contra os manifestantes que provocou seis mortes e oito feridos, argumentando que se tratou de um modo de manter a “ordem e a segurança no país.”
Rachid al-Sayed, porta-voz dos movimentos civis, por seu lado, confirmou à CNN a suspensão das negociações com os militares e anunciou que as barricadas começarão a ser levantadas, mas disse desconhecer o que se passa com a linha de caminho-de-ferro que liga Cartum ao resto do país.
O mesmo responsável, depois dos incidentes que causaram seis mortos, tinha apelado aos manifestantes para que mantivessem o carácter pacífico dos protestos, abstendo-se de praticar qualquer acto de violência.

ONU permanece em Abyei

O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou, de forma unânime, a extensão do mandato da sua Força de Segurança Interina para Abyei (UNISFA) até 15 de Novembro deste ano.
Segundo a Reuters, além de aprovar a extensão da missão que terminava este mês, a resolução 2469 prevê também a redução do número de tropas autorizadas para 3.550 até 15 de Outubro, estando prevista uma nova redução deste número em 585 militares no último mês desta nova extensão.
Segundo o mais recente relatório do Secretário-Geral das Nações Unidas, datado de 8 de Abril, a UNISFA tinha apenas 40 agentes da Polícia dos 345 autorizados pela extensão anterior, justificando este défice de agentes da autoridade com os atrasos na emissão de vistos pelo Sudão.
Quanto a este aspecto, a resolução 2469 expressou “elevada preocupação por o Governo do Sudão não ter emitido prontamente vistos para apoiar a mobilização de pessoal fundamental para o mandato da UNISFA.”
Em Maio de 2018, segundo dados no site da UNISFA, a missão estabelecida em Junho de 2011 contava com 4.841 membros uniformizados: 4.791 militares – incluindo o contingente militar, peritos em missão e responsáveis militares – e 50 membros da Polícia.
A região de Abyei, na fronteira entre Sudão e o Sudão do Sul, foi palco de vários conflitos, incluindo entre os dois países pela administração do território, situação que levou a ONU a lançar a UNISFA.
Abyei é também uma zona rica em petróleo, chegando, em 2003, a representar um quarto de toda a produção petrolífera do Sudão.

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