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Ministra pede obtenção de “ponto de equilíbrio”

A ministra da Administração Estatal de Moçambique, Carmelita Namachulua, apelou para um “ponto de equilíbrio” entre o Instituto Nacional de Estatística (INE) e os órgãos eleitorais em relação à discrepância dos resultados do recenseamento eleitoral na província de Gaza.

Dados do recenceamento eleitoral em Moçambique continuam envoltos em polémica
Fotografia: DR

“Estamos a acompanhar, mas sabemos muito bem que tanto o STAE, a CNE e o INE trabalham e têm credibilidade, por isso vamos deixar para que, efectivamente, essas instituições possam encontrar um ponto de equilíbrio”, disse a ministra, citada ontem pelo canal privado STV.
Em causa, estão os dados do recenseamento eleitoral apurados pelos órgãos eleitorais, que, para o INE, só farão sentido nas projecções da população da província de Gaza, sul de Moçambique, em 2040.
Os órgãos eleitorais moçambicanos recensearam cerca de 230 mil eleitores a mais do que o número da população em idade eleitoral na província de Gaza.
O número de eleitores apurados em Gaza faz da província a única em Moçambique que conseguiu registar um número acima da população em idade eleitoral, o que pode ter um impacto nos resultados da votação nas eleições gerais de 15 de Outubro.
A província de Gaza vota normalmente na Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, e a discrepância dos dados do recenseamento é vista como resultado de uma tentativa de manipulação do registo a favor desta organização política.

Ainda as dívidas ocultas
A directora da ONG britânica Comité para o Jubileu da Dívida considera que a admissão de culpa de um dos banqueiros envolvidos no escândalo das dívidas ocultas em Moçambique é mais uma razão para o país não pagar.
“Dois dos banqueiros envolvidos nos empréstimos declararam-se agora culpados e o Conselho Constitucional decidiu que, pelo menos, um dos empréstimos era ilegal. Por isso, o povo de Moçambique não devia ter de pagar um cêntimo destas dívidas”, disse Sarah-Jayne Clifton numa nota enviada ontem à Lusa.
“Apesar de os indivíduos estarem agora a ser responsabilizados, as autoridades britânicas devem agir rapidamente para garantir que os bancos, enquanto instituições, sejam responsabilizados por terem afundado o país numa crise da dívida”, acrescentou a directora desta organização não-governamental britânica.
Um ex-banqueiro do Credit Suisse admitiu ter recebido “luvas”, esquema que envolveu dois mil milhões de dólares em empréstimos ocultos a empresas estatais moçambicanas, noticiou a Bloomberg.
Andrew Pearse, de 49 anos, antigo director-geral da instituição financeira suíça, admitiu a sua culpa no processo de fraude num tribunal federal em Brooklyn, Nova Iorque, mas não ficou claro, escreve a agência, se o ex-banqueiro está ou não a cooperar com as autoridades norte-americanas.
A confissão e outros relatos sobre o esquema estão agora sob sigilo.
A sua advogada, Lisa Cahill, e Mark Bini, um procurador federal, rejeitaram comentar o assunto no final da audiência.
Pearse é o segundo gestor do banco Credit Suisse a assumir a sua culpa no processo de fraude e de esquema de lavagem de dinheiro.
Detelina Subeva, ex-vice-presidente da unidade financeira global da instituição, tinha confessado em Maio o seu envolvimento numa conspiração de “lavagem” de fundos.
A porta-voz do Credit Suisse, Karina Byrne, escusou-se a comentar o caso.
De acordo com a Bloomberg, Pearse, que enfrenta até 20 anos de cadeia, admitiu ter ajudado a arranjar empréstimos bancários para três empresas detidas e controladas pelo Governo moçambicano e ter recebido milhões de dólares em troca.
O ex-banqueiro identificou as empresas envolvidas: Proindicus SA, Moçambicana de Atum SA, ou Ematum, e Mozambique Asset Management (MAM), refere a Bloomberg.
A Proindicus deveria realizar uma vigilância costeira, a Ematum participava na pesca do atum e a MAM visava a construção e manutenção de estaleiros, segundo os procuradores.

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