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Missão da UA reduz contingente militar

Víctor Carvalho

A União Africana anunciou que cerca de mil soldados de nacionalidade burundesa, pertencentes à missão colocada na Somália (AMISOM), devem regressar ao país de origem o mais tardar até ao final deste mês.

A União Africana (UA)conta com um contigente significativo de soldados na Somália
Fotografia: DR

Na base desta decisão está uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas, datada de Julho de 2018, que exigia da AMISOM uma nova redução do  contingente até finais de Março de 2019, sem aviso complementar, revelaram fontes diplomáticas em Addis Abeba.
Com a saída desse contigente permanece na Somália um contigente de  20.600 soldados burundeses, mais precisamente na região de Hirshabelle.
Qualificando o plano de retirada das tropas de uma “decisão dolorosa”, o Presidente somali, Mohamed Abdi Waare, aventou a hipótese de que se o programa  for executado com precipitação vai tornar o país muito mais vulnerável aos ataques do grupo "terrorista" al-Shabab.
O Presidente Mohamed Abdi Waare foi confrontado com a exigência da imediata libertação do poeta somali, Abdirahman Abees, detido na auto-proclamada República da Somalilândia” quando declamava poemas críticos em relação ao actual Executivo do País.
Abdirahman Abees, que também possui a nacionalidade britânica, quando foi detido estava a participar num sarau cultural num hotel na cidade de Hargeisa, onde recitou poemas que denunciavam abusos aos direitos humanos alegadamente praticados pelas autoridades ligadas ao Governo.
 
Triplicam ataques americanos

O jornal “The New York Times” revelou esta semana que o ritmo das mortes resultantes de ataques norte-americanos na Somália triplicou em relação a 2018.
Segundo o jornal, os 24 ataques oficiais realizados desde Janeiro de 2019 resultaram em pelo menos 225 mortes. Durante todo o ano de 2018, os Estados Unidos bombardearam o país por 47 vezes, deixando 326 vítimas mortais.
Só em Fevereiro deste ano, três ataques realizados ao longo de uma semana terão matado 35, 20 e 26 pessoas cada.
O Departamento de Defesa norte-americano segundo o jornal, garante que todos os mortos são “terroristas” do al-Shabab. Os ataques da aviação norte-americana sobre alvos do al-Shabab terá gerado 320 mil refugiados, segundo revelaram recentemente das Nações Unidas, e obrigado 704 mil pessoas a abandonar as residências.
Desde 2007 os Estados Unidos da América mantêm uma presença militar na região, com especial incidência na Somália, como parte da Guerra Global ao Terrorismo, iniciada por George W. Bush em 2001.
O al-Shabab é responsável por uma série de atentados tanto na Somália como no Quénia, tendo o maior deles morto entre 500 e mil pessoas com um carro bomba colocado há dois anos em Mogadíscio.
Com presença nos grandes centros urbanos, o grupo extremista controla zonas rurais por todo o país, apesar de não ter uma base formal desde 2014, um modo que encontrou para evitar os ataques da aviação dos Estados Unidos da América.
Desde o início do ano, a al-Shabab tem efectuado diversos atentados à bomba em diferentes cidades da Somália, com especial incidência na capital, Mogadíscio, com vista a alvos situados perto do complexo onde está instalado o Palácio Presidencial.

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