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Mortos homenageados por jovens em Cartum

Dezenas de sudaneses homenagearam, no fim-de-semana, na capital do Sudão, Cartum, as pessoas que morreram durante a revolução iniciada em Dezembro e que levou à destituição do ex-Presidente Omar al-Bashir, informou a Lusa.

Fotografia: DR

Os jovens pintaram e escreveram em paredes da capital os nomes de “mártires da revolução”, no primeiro fim- de- semana de um período de transição entre militares e civis que durará três anos, até à realização de eleições.
Na concentração, em que se leram passagens do Alcorão, muitos dos participantes apresentavam-se com riscas azuis pintadas no rosto, uma homenagem aos mortos durante a revolução, em particular às centenas de pessoas que morreram durante uma violenta operação realizada pelas forças de segurança no início de Junho.
A operação, que ocorreu em 3 de Junho, representou um marco nas negociações entre a plataforma civil que representava os manifestantes desde o início dos protestos e o Conselho Militar que assumiu o poder depois da destituição, em 11 de Abril, de al-Bashir.
Os episódios de violência em Cartum no início de Junho levaram ao atraso das negociações que conduziram à criação de um Conselho Soberano que lidera, desde quarta-feira, a transição no Sudão.As autoridades no Sudão estão a conduzir investigações sobre a violência cometida contra os manifestantes e procuram identificar os responsáveis pelas mortes registadas desde Dezembro.
Na quarta-feira, o Presidente do Conselho Soberano, o marechal Adelfatah al-Burhan, e o Primeiro-Ministro, o economista Abdalla Hamdok, foram empossados, assim como os 11 membros do órgão de transição.
O Conselho Soberano, formado por cinco militares e cinco civis, assim como por um 11º membro eleito pelos dois, será presidido por militares nos primeiros 21 meses.
Nos 18 meses seguintes, um civil ocupará a Presidência, que terá também um Conselho de Ministros e um Conselho Legislativo transitórios até à realização de eleições democráticas, de acordo com o projecto acordado entre os militares e a oposição.
  

 

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