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Nações Unidas sancionam traficantes de seres humanos

Victor Carvalho

As Nações Unidas, através do Conselho de Segurança, decidiu esta semana colocar na lista internacional de sanções seis supostos líderes de grupos sediados na Líbia e que se dedicam ao tráfico de seres humanos.

Muitos migrantes passam meses presos a aguardar viagem para Europa
Fotografia: DR

Os elementos que passam a estar submetidos a sanções, com aplicação a nível internacional, são quatro cidadãos líbios e dois eritreus, incluindo um dos principais responsáveis pela guarda costeira regional, uma organização que tem a sua sede na Líbia.
Nos últimos anos, devido à crescente instabilidade na Líbia, centenas de milhares de migrantes africanos escolheram este país como ponto de partida para tentarem chegar por mar à Europa.
Esse facto resultou na criação de diversas redes internacionais que trabalham desde o país de origem dos potenciais migrantes, em especial no Norte e no Corno de África, até ao local onde aguardam pelo momento do embarque, neste caso a Líbia.

Proposta da Holanda

E, será precisamente na Líbia onde se têm registado mais casos de situações que atentam contra os direitos humanos, com muitos desses migrantes a passarem meses detidos em “centros de acolhimento” onde são submetidos a uma série de maus tratos, havendo mesmo alguns que acabam por não resistir e morrer.
As sanções agora impostas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, sob proposta da Holanda, prevê o congelamento das contas bancárias das pessoas abrangidas e o impedimento de viajarem.
A decisão da Holanda em avançar com esta proposta, surgiu depois da cadeia de televisão norte-americana, CNN, ter divulgado em finais de 2017 uma reportagem onde detalhava a situação de escravidão em que viviam muitos dos migrantes que se encontravam detidos na Líbia.
De acordo com o embaixador da Holanda nas Nações Unidas, as sanções pretendem também enviar uma “mensagem forte” e “chocar a consciência humana” relativamente à situação em que vivem esses migrantes africanos.
“A comunidade internacional tem de saber o que se passa e estar disposta a contribuir para que se coloque um ponto final a uma situação que nos deveria envergonhar a todos”, disse o mesmo diplomata.Um dos principais alvos destas sanções é Ermias Ghermay, um líbio que as Nações Unidas acreditam ser um dos mais importantes traficantes de seres humanos da região subsahariana.
Entre os outros cinco sancionados contam-se Fitiwi Abdelrazak, da Eritreia, e Ahamar Oumar al-Dabbashi, líder de uma das principais milícias  armadas líbias.
A Líbia emergiu como ponto fulcral na principal rota de migrantes africanos que pretendem chegar à Europa, havendo informações recentemente divulgadas pela União Africana que referem que em Dezembro do ano passado se encontravam mais de 700 mil pessoas detidas nos 40 “centros de acolhimento” existentes nesse país.
A Organização Internacional de Migração (OIM) refere que mais de 3.100 pessoas morreram em 2017 no Mediterrâneo quando pretendiam chegar à Europa depois de saírem da Líbia.
A mesma organização refere que o último episódio fatal aconteceu esta mesma semana quando 46 africanos morreram afogados, incluindo nove mulheres, após um barco ter naufragado na travessia do Golfo de Aden.
Mohammed Abdiker, da OIM, disse que mais de sete mil migrantes aventuram-se nesta perigosa viagem todos os meses.

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