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Número de mortos do ciclone "Idai" em Moçambique subiu para 217

Victor Carvalho

O ministro moçambicano do Território e Ambiente, Celso Correia, disse hoje de manhã à televisão moçambicana que o número de vítimas mortais da passagem do ciclone " Idai" pelo aumentou para 217, sublinhando que cerca de 15 mil pessoas precisam de socorro imediato.

Fotografia: DR

Com o nível da água a descer, lentamente, a prioridade nesta altura passa por fazer chegar água e alimentos a quem precisa. “A nossa maior luta é contra o relógio”, disse o ministro moçambicano do Território e Ambiente, acrescentando que as autoridades estão a fazer todos os possíveis para salvar vidas.

Até hoje a comunidade internacional tinha conseguido juntar 53,5 milhões de dólares para serem usados em ajuda humanitária de emergência a Moçambique, Malawi e Zimbabwe.

De acordo com dados colhidos pela agência Lusa, com base nos anúncios oficiais dos donativos efectuados, foram já feitas mais de uma dezena de contribuições internacionais, destacando-se o Reino Unido, que disponibilizou mais de (23 milhões de dólares para os três países afectados, que contabilizam já mais de 300 mortos, em consequência da passagem do “Idai”.

Na quarta-feira, o governo britânico anunciou uma segunda doação de 16 milhões de dólares, que se juntou à de sete milhões que havia sido tornada pública na passada segunda-feira.

Seguem-se as Nações Unidas, que aprovaram a disponibilização de uma verba de 20 milhões de dólares, também distribuir pelos três países. De acordo com a organização chefiada por António Guterres, a verba servirá para “impulsionar a resposta imediata às populações em Moçambique, o país mais atingido”.

Também o Banco Mundial anunciou que nove dos 90 milhões de dólares do novo programa de gestão de acidentes e riscos (DRM) de Moçambique poderão ser destinados à situação de emergência no país, “desde que o projecto continue efectivo".

Por sua vez, a União Africana (UA) mobilizou 350 mil dólares para os três países, sendo que Moçambique, o mais afectado pelo ciclone, receberá por si só 150 mil dólares.

A União Europeia (UE) anunciou também atribuição de um apoio de emergência avaliado em 4 milhões de dólares para os três países mais afectados, a que se juntam mais 170 mil dólares para “fornecer apoio logístico” através da criação de abrigos de emergência para acolhimento das pessoas afectadas.

RENAMO DUVIDA DOS NÚMEROS DO GOVERNO

Entretanto, a Renamo diz duvidar dos números apresentados pelo Governo sobre o verdadeiro impacto do ciclone “Idai”, dizendo que no terreno a realidade é diferente daquela que ele apresenta.

Numa conferência de imprensa realizada em Maputo, Juliano Picardo, assessor político do presidente de partido, Ossufo Momade, “tudo o que até aqui tem sido anunciado sobre vítimas humanas, infraestruturas, bens e pessoas desaparecidas não passa de uma falácia com intenção de nos despistar da realidade”.

Hoje de manhã, o Instituto de Gestão das calamidades de Moçambique confirmou que 40 mil pessoas já haviam sido resgatadas, havendo ainda 347 mil em risco na província de Sofala, confirmando a existência, até agora, de 202 mortes, número que entretanto subiu para 217, de acordo com o Governo.

No meio da tragédia duas boas notícias: as comportas de uma barragem zimbabweana foram ontem abertas mas o caudal de água que dela saiu foi inferior ao que se temia, enquanto as comunicações com a zona urbana da cidade da Beira já estão a ser repostas.

Mas o acesso à Beira permanece intransitável por via terrestre devido ao nível das águas, só sendo possível a entrada por via marítima ou aérea. Na cidade, continua a não haver água potável, eletricidade, começa a faltar comida e todos os outros produtos de primeira necessidade.

O “Idai” atingiu com particular violência a cidade da Beira, onde mais de 400 mil pessoas, numa população de 500 mil, ficaram desalojadas, e o distrito de Buzi, também na província de Sofala, onde mais de 200 mil habitantes viram destruídas as suas casas, permanecendo muitos deles em locais isolados e em risco de vida devido ao elevado nível das águas.

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