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Nyusi teme que violência a Norte alastre pelo país

Victor Carvalho

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, em entrevista ao jornal “Canal de Moçambique”, a primeira a um órgão de comunicação social local em cinco anos de mandato, disse temer que a violência armada que neste momento assola o Norte se possa alastrar a outras regiões do país.

Presidente moçambicano pede a colaboração de todos no combate aos grupos armados
Fotografia: DR

“O nosso esforço é para que todos colaborem no sentido de ver se conseguimos saber quais são as reais motivações dos grupos armados, porque isso pode alastrar-se pelo país”, disse.
Diversos grupos armados, supostamente islâmicos, já mataram pelo menos 150 pessoas na província de Cabo Delgado, no Norte do país, nos últimos 18 meses.
“Atacam as povoações e usam jovens e pessoas capturadas, na maioria estrangeiros. Atravessam a fronteira, vêm para aqui e quando são capturados, devido à actual legislação, são devolvidos aos países de origem”, lamentou Filipe Nyusi que ainda recentemente admitiu a possibilidade de uma alteração à lei de estrangeiros no país.
Na entrevista, o Presidente moçambicano garante a existência de uma colaboração estreita com as multinacionais que investem em gás natural na província de Cabo Delgado “para proteger os projectos económicos”.
Filipe Nyusi sublinhou a ideia de que dificilmente podiam ter acontecido mais desgraças no seu mandato, referindo-se concretamente aos dois ciclones que assolaram o país este ano, às secas no Sul do país e à paz que tarda a ser consolidada.
Filipe Nyusi reitera que as negociações de paz estão lentas e emperradas nos nomes que a Renamo terá de apresentar para desarmar e reintegrar a sociedade.

Dívidas ocultas
Numa outra parte da entrevista, o Presidente recusou-se a dizer se recebeu ou não dinheiro no caso das dívidas ocultas, alegando não querer embaraçar a Justiça.
“A dívida oculta foi contratada na altura em que o senhor era ministro da Defesa. O senhor recebeu ou não dinheiro das dívidas ocultas?”, questionou o jornalista Matias Guente.
“Porque é que você não faz o seguinte: deixar... até porque isso é embaraçoso para quem está a dirigir o caso, porque eu não quero embaraçar o processo que está a correr ao nível da Justiça”, respondeu Nyusi.
Filipe Nyusi disse não acreditar que a detenção de Ndambi Guebuza, filho do ex-presidente de Moçambique, seja uma perseguição política, como ele disse quando foi detido em Fevereiro.
O ex-ministro das Finanças moçambicano Manuel Chang, três ex-banqueiros do Crédit Suisse e um mediador da Privinvest foram detidos em Dezembro a pedido da Justiça norte-americana.
A investigação alega que a operação de financiamento de 2,2 mil milhões de dólares para criar as empresas públicas moçambicanas Ematum, Proindicus e MAM durante o mandato do Presidente Armando Guebuza é um vasto caso de corrupção e branqueamento de capitais.
Em Fevereiro, foram detidas várias figuras públicas pela Justiça moçambicana, entre as quais pessoas próximas do ex-Chefe do Estado moçambicano que tinha o caso aberto desde 2015, mas sem nenhuma detenção.
O país viu cortada de modo bastante substancial a ajuda externa em 2016 depois de reveladas as dívidas.
Filipy Nyusi foi há uma semana indigitado pelo seu partido para se candidatar, como cabeça de lista, às próximas eleições previstas para 10 de Outubro.

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