Mundo

Obiang Nguema dirige o país há 40 anos

O Presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema, cumpre hoje 40 anos na Presidência do país, abalado pela corrupção e pelas desigualdades, que tem liderado com punho de ferro e limitando a oposição, segundo organizações internacionais.

Obiang Nguema dirige o país há 40 anos
Fotografia: DR

Para as celebrações dos 40 anos no poder, estão previstos vários eventos em trêsprincipais cidades: Bata, a capital económica, Mongomo, de onde Obiang é natural e Djibloho, uma cidade recente construída com dinheiro resultante da exploração petrolífera.
Reeleito em 2016 com 93,7 por cento dos votos, Obiang prepara o filho e actual Vice-Presidente,Teodoro Nguema Obiang Mangue, conhecido como Teodorin para a sua sucessão.
Em 3 de Agosto de 1979, Teodoro Obiang, então um jovem tenente-coronel do Exército, formado na Academia Militar de Saragoça (Espanha), que desempenhava o papel de vice-ministro da Defesa, liderou um golpe de Estado contra o seu tio, o então Presidente Francisco (El Tigre) Macías Nguema.
Macías fora o primeiro Presidente equato-guineense na era pós-colonial, assumindo o poder depois de a Espanha conceder a independência ao país que colonizou durante quase 200 anos.
Todavia, sob a liderança de Macías, a Guiné Equatorial afundou-se, abatida pelo “terror” contra os opositores políticos do Presidente, provocando milhares de mortos.
“A partir desse momento, considerei seriamente, como nunca tinha feito antes, a alternativa de acabar com o regime ditatorial”, escreveu Obiang, de 77 anos, nas suas memórias.
Desde então, Obiang desenvolveu um cuidado especial com tentativas de golpe de Estado, criando serviços de segurança sob a sua autoridade directa. Segundo a Administração equato-guineense, estes mecanismos permitiram frustrar pelo menos dez tentativas de derrube do Presidente.
No mais recente, em Dezembro de 2017, o Governo anunciou ter impedido um alegado golpe de Estado orquestrado por exilados no estrangeiro.
Em Janeiro deste ano, um tribunal da Guiné Equatorial condenou mais de 130 pessoas pelo seu envolvimento na tentativa de golpe de Estado, a penas que chegaram aos 96 anos de prisão.
O partido Cidadãos para a Inovação (CI), um dos principais da oposição e o único que na actual legislatura conquistou um assento na Câmara dos Deputados, teve as suas actividades suspensas em Fevereiro de 2018.
Mais de duas dezenas de membros do CI, incluindo o deputado eleito na Câmara dos Deputados, foram condenados a 30 anos de prisão por ataques à autoridade e ofensas à integridade física do Chefe de Estado.
A pressão sobre os opositores políticos levou muitos a abandonarem o país, exilando-se em países como França ou Espanha.
A fortuna pessoal de Obiang é também alvo de críticas pela comunidade internacional.
Avaliada em mais de 600 milhões de dólares, segundo a revista Forbes, Obiang é considerado um dos Presidentes mais ricos de África.
Questionado numa entrevista à televisão norte-americana CNN, em 2012, sobre os fundos na sua conta, Teodoro Obiang negou ter uma conta especial ou privada, mas uma investigação de um subcomité do Senado dos Estados Unidos contrariou a resposta do Presidente equato-guineense.
De acordo com a investigação norte-americana, Obiang, familiares e vários responsáveis governamentais equato-guineenses depositaram 700 milhões de dólares em várias contas no extinto banco Riggs.
Os fundos de Obiang e da família têm sido expostos no estrangeiro pelo filho Teodorín, conhecido pelo seu estilo de vida.
Teodorín tem sido alvo de vários processos internacionais. Em Outubro de 2017, um tribunal de Paris condenou-o a três anos de prisão com pena suspensa e ao pagamento de uma multa de 30 milhões de euros, também com pena suspensa, por desvio de fundos públicos para a aquisição de bens de luxo em França.
O Vice-Presidente equato-guineense é acusado de gastar mais de mil vezes o seu salário anual oficial numa mansão de seis pisos numa área luxosa da capital francesa, assim como para a compra de uma frota de carros de luxo e obras de arte.
No princípio deste ano, a Procuradoria suíça abandonou as acusações de fraude fiscal contra Teodorín, mas confiscou 25 dos seus carros de luxo.
À Lusa, o Presidente e seu pai, Teodoro Obiang, admitiu em Julho que este pode ser o seu sucessor no cargo, ainda que o país não seja uma monarquia.
O produto interno bruto (PIB) per capita do país, rico em petróleo, é um dos mais alto do mundo, mas grupos de defesa dos direitos humanos apontam que grande parte dos equato-guineenses vive na miséria.
A corrupção é, de resto, uma das principais fragilidades do país com uma população de 1,2 milhões de habitantes.
Apontado regularmente como um dos países mais corrupto do mundo, a Guiné Equatorial encontrava-se na 141ª posição entre 189 no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) das Nações Unidas de 2018.
Já no Índice de Percepções de Corrupção (IPC), um ranking anualmente publicado pela Transparência Internacional, considerado o principal indicador global sobre os níveis de corrupção no sector público de cada país, a Guiné Equatorial ocupa a posição 172 entre 180 países.
O Presidente do país afasta as críticas e refere que são julgamentos do Ocidente.
No mês passado, a organização não-governamental Amnistia Internacional (AI) apelou ao Executivo de Obiang para respeitar, proteger, promover e cumprir com os direitos humanos de todos no país.

Chefe de Estado eleito há mais tempo

O Presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema, ao cumprir, hoje, 40 anos à frente do país, torna-se o Chefe de Estado que está há mais tempo no poder entre os que foram eleitos.
Actualmente, Obiang está apenas atrás da Rainha Isabel II, do Reino Unido, que ocupa o trono britânico há 67 anos.
O Presidente equato-guineense, de 77 anos, junta-se assim, a uma lista restrita de líderes políticos que governaram por mais de quatro décadas.
O Chefe de Estado que mais tempo esteve à frente de um país em África foi o imperador etíope Hailé Selassié, que reinou a Etiópia durante 44 anos, até à sua destituição, através de um golpe de Estado.
O cubano Fidel Castro, que liderou a revolução em Cuba, encabeça uma lista que exclui monarcas, com 49 anos à frente dos destinos do país, até 2008, quando, doente e envelhecido, cedeu o poder ao irmão, Raul.
O primeiro Presidente do Taiwan, Chiang Kai-shek, chefiou a ilha durante 47 anos, até à sua morte, em 1975.
O fundador da Coreia do Norte, Kim Il-sung, conduziu os destinos do país durante 46 anos, até 1994, continuando a ser imortalizado na cultura norte-coreana como o líder eterno.
Os 42 anos de liderança do líder líbio Muammar Kadhafi colocam-no na quarta posição da lista. Kadhafi foi afastado da Presidência da Líbia em 2011 e executado por rebeldes durante o auge da Primavera Árabe.
Omar Bongo Ondimba governou o Gabão por mais de 41 anos, até à sua morte por doença, em 2008.
As quatro décadas de liderança do comunista albanês Enver Hoxha até à sua morte, em 1985, fecham a categoria de líderes não-monárquicos que presidiram por mais de 40 anos.
Actualmente, além de Obiang, outros cinco líderes políticos dirigem os seus países há mais de 30 anos: Paul Biya, dos Camarões (37 anos), Denis Sassou Nguesso, da República do Congo (35 anos, sem contar com um intervalo de cinco anos após a derrota nas eleições de 1992), Hun Sen, do Cambodja (34 anos), Yoweri Museveni, do Uganda (33 anos) e o ayatollah Ali Khamenei, líder supremo do Irão desde 1989. Há ainda seis líderes políticos eleitos que se mantêm no poder há mais de 20 anos: o chadiano Idriss Deby Itno (28 anos), Emomali Rakhmon, do Tajiquistão (27 anos), Isaias Afwerki, da Eritreia (26 anos), o bielorusso Alexander Lukashenko (25 anos) e Ismail Omar Guelleh, do Djibouti (20 anos).

Localização geográfica

Localizada na África Ocidental, a Guiné Equatorial é composta por três territórios descontínuos: dois insulares (ilha de Bioko e ilha de Pagalu) e um continental (Mbini). A ilha de Bioko é a região mais habitada do país, nela se localiza a capital Malabo, com uma população de 96 mil habitantes. A porção continental da Guiné Equatorial (Mbini) faz fronteiras com Camarões (ao Norte), Gabão (ao Sul e Leste) e o Golfo da Guiné (a Oeste).
O país foi ocupado primeiramente por portugueses (1470), porém, em 1778, os espanhóis iniciaram a colonização da Guiné Equatorial. A independência só foi obtida no dia 12 de Outubro de 1968. O primeiro Presidente foi Francisco Nguema, um feiticeiro, que usou da ingenuidade da população local para praticar uma política de terror. Estima-se que 50 mil opositores foram assassinados durante o seu Governo. No entanto, em 1979, ele foi deposto e executado pelo tenente-coronel Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, seu sobrinho.
Com a descoberta de reservas de petróleo e gás, na década de 90, a economia da Guiné Equatorial fortaleceu consideravelmente. O país tornou-se grande produtor e exportador de petróleo, tal qual o Kuwait.
A agricultura é outra actividade desenvolvida no país, com forte destaque para o cultivo de algodão, café, cana-de-açúcar e uma grande variedade de frutas. A criação de gado, exportação de madeira e a pesca são outros elementos da economia nacional.
A Guiné Equatorial apresenta o maior PIB per capita do continente africano, 19.998 dólares, no entanto, a distribuição de rendimentos ocorre de forma desigual, a riqueza está concentrada nas mãos dos governantes e dos proprietários das companhias internacionais.

Extensão territorial:

28.051 metros quadrados
Localização: África
Capital: Malabo
Clima: Equatorial
Governo: República com forma mista de Governo
Divisão administrativa: 4 regiões continentais e 3 insulares.
Idioma: Espanhol (oficial), francês, inglês, fangue, combe, balenque
Religião: Cristianismo, 88,5 por cento (católicos 83,5; outros 5), Islamismo 4 por cento, crenças sem religião e ateísmo 5, outras 2,5.
População: 676.273 habitantes (Homens: 335.402; Mulheres: 340.871)
Composição étnica: Fangues, 80 por cento, bubis 15, outros 5
Densidade demográfica: 24 hab/km²

Tempo

Multimédia