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ONU denuncia intervenção de forças externas na Líbia

O enviado da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Líbia, Ghassan Salamé, denunciou, ontem, um acentuado agravamento do conflito em Tripoli e responsabilizou a intervenção de vários países estrangeiros.

Nos últimos dias, a situação militar agravou-se na Líbia com uso de meios aéreos nas batalhas
Fotografia: DR

Os perigos e as consequências directas da interferência estrangeira são cada vez mais evidentes”, disse Salamé ao Conselho de Segurança da ONU por videoconferência a partir da Tunísia, citado pela Lusa.
O diplomata afirmou que a crescente presença de mercenários e combatentes de organizações militares estrangeiras está a aumentar a violência e destacou que os ataques aéreos, especialmente o uso de drones se tornaram um elemento-chave de um conflito que, de outro modo, seria de baixa intensidade. Segundo a ONU, desde que o marechal líbio Khalifa Haftar avançou com uma ofensiva militar em Abril contra Tripoli, sede do Governo de acordo nacional, estabelecido em 2015 e reconhecido pela organização, registaram-se pelo menos 800 ataques com aeronaves não tripuladas em seu favor.
Ao mesmo tempo, houve cerca de 240 ataques com drones em apoio ao Governo de acordo nacional líbio.
Salamé iniciou a intervenção condenando o ataque que há uma semana atingiu uma fábrica de biscoitos nos subúrbios a sul de Tripoli e que matou, pelo menos, sete pessoas, que ali trabalhavam, deixando outras 30 feridas, segundo o Ministério da Saúde local.
As recentes informações da ONU indicam que o ataque resultou em 10 vítimas mortais e pelo menos 35 feridos. As Nações Unidas estão a verificar o que aconteceu no ataque que, segundo Salamé, pode constituir um crime de guerra.
Fontes próximas ao Governo apoiado pela ONU atribuíram o bombardeamento aos Emirados Árabes Unidos, aliado do marechal Haftar, com apoio militar da Arábia Saudita, Egipto, Rússia e França. O enviado da ONU assegurou que existe o risco de a participação estrangeira no conflito se sobrepor à nacional e o futuro dos líbios não estar nas suas próprias mãos.
“É do interesse de todos os líbios rejeitar a interferência exterior nos assuntos do país e espero o seu apoio para exigir aos actores estrangeiros que cumpram com o embargo de armas e se comprometam a terminar o conflito antes que seja demasiado tarde”, afirmou Salamé.
A Líbia é um país imerso num caos político e insegurança desde a queda do Governo de Muammar Kadhafi em 2011 e devido a divisões e lutas de poder entre diversas milícias e tribos.
Alguns países estrangeiros têm sido acusados de conduzir uma guerra por procuração naquele território desde o início da ofensiva conduzida pelo marechal Haftar.
Leal a Haftar, o Exército Nacional Líbio é a maior e a mais bem organizada das muitas milícias que existem no território líbio e conta com apoio de países como Egipto, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.Já do lado do Governo de acordo nacional líbio, os apoios apontados surgem do Qatar e da Turquia. Os combates registados ao longo dos últimos meses já fizeram mais de mil mortos e 120 mil deslocados, de acordo com as Nações Unidas.
As forças do Governo de União Nacional líbio anunciaram, ontem, que um caça-bombardeiro das forças de Khalifa Haftar foi abatido domingo em voo e despenhou-se em Tarhounah, a 90 quilómetros ao sul de Tripoli, enquanto um porta-voz do marechal reivindica o abate de um drone italiano, alegadamente ao serviço do Governo apoiado pela comunidade internacional.
Segundo a célula de informação da operação militar das forças do Governo de União, o porta-voz Mohammed Qnounou confirmou a queda do caça em pleno voo.
“De acordo com os dados preliminares que dispomos, um caça-bombardeiro das forças de Haftar caiu em Tarhounah”, disse Qnounou, citado pela Reuters.
O Exército do marechal Khalifa Haftar, disse ter derrubado, ontem, um drone italiano no norte da cidade líbia de Tarhuna, Oeste do país. As forças de Haftar exigiram que o lado italiano explicasse o que o drone fazia no espaço aéreo líbio.
O Ministério da Defesa italiano publicou, na conta no Twitter, que o drone Predator italiano estava a actuar na operação Mare Sicuro (Mar Seguro)para controlar o fluxo migratório desde de 2015.

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