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Oposição critica política de Educação do Governo

A presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), na oposição, Janira Hopffer Almada, acusou, ontem, o Governo de fazer uma “gestão corrente” do sector da Educação, através de “medidas casuísticas com efeitos negativos”, sobretudo, no ensino secundário

Presidente do PAICV (oposição), Janira Hopffer, fez fortes críticas ao Executivo cabo-verdiano
Fotografia: DR

.“Não obstante as conquistas alcançadas, regista-se um grande recuo, nos últimos três anos, sobretudo, no que tange ao planeamento do sistema de Educação”, disse Janira Hopffer Almada aos jornalistas, no final de uma visita à Escola de Hotelaria e Turismo de Cabo Verde, na cidade da Praia.
Segundo a Lusa, a visita inseriu-se no conjunto de deslocações a instituições de ensino que o PAICV está a realizar, no âmbito da preparação do debate sobre o Estado da Nação, que se realiza no final deste mês.
Para Janira Hopffer Almada, “o actual Governo está a fazer uma gestão corrente do sector, um pouco entre o erro e a falha”.
“Há muitas escolas sem professores e com colocação tardia de professores, temos muitos problemas com o material didáctico, especificamente , manuais e erros crassos nos manuais”, disse.
As críticas da líder do maior partido da oposição estenderam-se à criação de um agrupamento escolar , que em sua opinião, “ainda não provou qual o impacto positivo que tem na comunidade educativa em geral, nem nos professores ou alunos, cria uma grande confusão nos encarregados de educação”.
“Temos situações relacionados com o sistema de avaliação, que está regulado por diploma legal e tem sido, sistematicamente alterado por este Governo, através do Ministério da Educação, com despachos casuísticos, o que acaba por denotar alguma desorganização e falta de planificação”, prosseguiu.
Janira Hopffer Almada considera, que o ensino secundário está a ser o mais afectado, pois, é neste nível que se sente “a falta de material pedagógico e didáctico, por um lado, e por outro, com erros crassos”.
“É no secundário, que se detectou a falta de professores e a colocação tardia de professores, é no secundário que se registam problemas, no que tange à implementação do tal agrupamento escolar que foi criado, também é no secundário, que se registaram os grandes problemas relativamente ao sistema de avaliação, o qual está a ser alterado, mediante despacho, sem se ter em conta o impacto que tem na vida dos alunos, dos professores e na vida dos próprios encarregados de educação, comprometendo seguramente o país”, disse.
E, acrescentou: “Não podemos continuar a fazer discursos de reformas, como este Governo tem feito no sistema de Educação”.
“Trata-se de medidas casuísticas, tomadas sem primeiro se auscultar a comunidade educativa e os actores de Educação, para se aferir dos riscos e sem se fazer o balanço dos impactos para saber se resultou”, referiu.

Luta contra a droga
O Primeiro-Ministro, Ulisses Correia e Silva, disse que o país precisa de 8 milhões de dólares para operacionalizar o Programa Nacional Integrado de Luta Contra Droga e Crimes Conexos, espera obter os apoios necessários para o efeito.
“Nós estamos a falar de montantes muito elevados. Esperamos que de facto, possamos ter as contribuições necessárias, para operacionalizar o programa”, disse o chefe do Governo, que falava ontem, na cidade da Praia, durante uma reunião temática sobre o Programa Nacional Integrado de Luta Contra Drogas e Crimes Conexos (PNLCDCC 2018-2023).
Com apoio do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime para a África Ocidental (ONUDC), o programa cabo-verdiano tem alguns objectivos e metas que o país pretende alcançar, nos próximos anos, entre elas a redução da prevalência de substâncias psico-activas de 7,6 para 6,8 por cento. Também pretende diminuir a prevalência do consumo de álcool na população, de 63,5 para 61,8 por cento e reduzir a criminalidade em 50 por cento, até 2021.
Para o Primeiro-Ministro, o programa é multissectorial e tem múltiplos actores, considera que isso impõe muita disponibilidade, coordenação, complementaridade e sinergia entre as instituições de Saúde Pública, de Justiça Criminal, de Segurança, de Inspecção económica, Supervisão financeira e de Inclusão social, dos municípios, das ONG, do sistema Educativo, das igrejas e da Comunicação Social e Famílias.
Para a representante regional do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (ONUDC), Chantal Lacroix, o programa de Cabo Verde representa uma resposta aos desafios actuais prioritários e uma “contribuição substancial” para a promoção da saúde e paz.

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