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Polícia detém no Soweto assaltantes de estrangeiros

A Polícia sul-africana deteve, quinta-feira à noite, sete pessoas na sequência de uma onda de assaltos a lojas de estrangeiros localizadas em várias áreas residenciais do Soweto, Joanesburgo, anunciaram ontem as autoridades locais.

Vários estabelecimentos comerciais de estrangeiros foram pilhados pela população em Soweto
Fotografia: Dr

Segundo um porta-voz da Polícia, Kay Makhubele, de acordo com a BBC, populares na cidade satélite de Joanesburgo assaltaram e pilharam várias lojas, propriedades de cidadãos estrangeiros, durante a noite de quinta-feira, nas áreas residenciais de Moroka, Dlamini, Protea Glen, Dobsonville, Rockville, Jabulani, Emndeni, White City e Zola, entre outras.
A Polícia disse desconhecer os motivos da recente onda de assaltos contra cidadãos estrangeiros. “Desconhecemos porque é que os estrangeiros são vistos como um alvo fácil. Só a comunidade residente local pode responder por isso”, afirmou.
Imagens divulgadas pela imprensa sul-africana dão conta de lojas vazias e algumas até destruídas após os assaltos de quinta-feira à noite e que, segundo a Polícia, continuaram nas primeiras horas da manhã de ontem.
Há duas semanas, a Polícia sul-africana disse ter sido alvo de um ataque de comerciantes informais, na maioria estrangeiros, no centro da cidade de Joanesburgo durante uma operação policial que visava produtos falsificados e de contrabando.
O Soweto, com mais de três milhões de habitantes, foi edificado pelo anterior Governo do apartheid para albergar a população de maioria negra. O presidente da Câmara Municipal de Joanesburgo, Herman Mashaba, da Aliança Democrática (DA, sigla em inglês), o maior partido na oposição, condenou os incidentes contra a propriedade de comerciantes estrangeiros.
“Condenamos nos termos mais duros possíveis esses actos de criminalidade. Os criminosos que saquearam lojas de cidadãos estrangeiros sob a falsa pretensão de vingar a Polícia devem ser presos. A obrigação da Polícia é o combate ao crime, independentemente do motivo”, disse o autarca.
A Comissão de Direitos Humanos Sul-Africana (SAHRC, sigla em inglês) disse, em comunicado, que “o Governo necessita de atender às preocupações da comunidade local sobre a falta de oportunidades económicas.”

Em defesa do Presidente

A secretária-geral adjunta do Congresso Nacional Africano (ANC), Jessie Duarte, considerou injustas as alegações contra o Chefe de Estado sul-africano, Cyril Ramaphosa, por alegadas irregularidades nos fundos recebidos na campanha para ascender à presidência da organização, em Dezembro de 2017.
“Não há exigência legal de que os líderes tenham que declarar doações para as campanhas partidárias e não é correcto impor regras sobre o assunto depois de terem sido feitas e, se isso for feito, deve ser estendido a todas as partes”, disse a responsável política do ANC.
Os pronunciamentos de Jessie Duarte referem-se às acusações do protector público, Busisiwe Mkhwebane, sobre a alegada violação por Cyril Ramaphosa do Código de Ética do Executivo ao não informar o Parlamento Nacional de uma doação de 35 mil dólares recebidos naquela campanha pela presidência do ANC.
A responsável disse que “esta questão tem sido usada por oportunistas políticos de todos os tipos para prejudicar o Presidente da República e minar os seus esforços renovados”, visando reavivar a economia, criar postos de trabalho, acabar com a pobreza e a desigualdade, entre os muitos desafios que a África do Sul enfrenta.
Ressaltou que essas queixas contra o Presidente não são relevantes e são injustas, além do facto de que os doadores solicitaram a manutenção da confidencialidade, que foi violada quando os detalhes dessas transacções vazaram para a imprensa.
Para Jessie Duarte, em geral, alguns preferiram esquecer que as campanhas políticas custam dinheiro e que, em organizações multipartidárias, a democracia precisa de recursos financeiros para divulgar as suas mensagens, convencer e mobilizar os eleitores.
Lembrou que o ANC promoveu o estabelecimento de uma lei que regula as doações para partidos políticos com regulamentos, transparência e responsabilidade, e que o debate que causou as reclamações contra o Presidente é uma oportunidade para abordar essa proposta.

 

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