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Polícia moçambicana reforça patrulhamento em Cabo Delgado

Victor carvalho

A polícia de Moçambique, para fazer frente ao terrorismo que afecta o norte do país, decidiu reforçar o patrulhamento na fronteira com a província de Cabo Delgado, no mesmo dia em que Graça Machel foi empossada pelo Presidente Filipe Nyusi como membro do Conselho de Estado

Fotografia: DR

Para fazer frente aos sucessivos actos de terrorismo que ocorrem na região norte do país, a polícia nacional de Moçambique resolveu reforçar o patrulhamento nas zonas de fronteira com a província de Cabo Delgado.

Trata-se de um contingente especial formado e equipado para lutar contra o terrorismo e que permanecerá na região até quer a situação esteja controlada, não tendo as autoridades fornecido informações sobre o número de pessoas que o integra por alegadas razões de segurança.

Os ataques terroristas, atribuídos a grupos radicais islâmicos, fazem com que a comunidade muçulmana da região receie que o eventual aliciamento de aldeãos faça com que os ataques se propaguem para outras regiões, um pouco à semelhança do que sucedeu na Nigéria quando o Boko Haram iniciou as suas acções.

As autoridades moçambicanas estão convencidas de que os ataques que se têm efectuado no norte do país têm uma "forte influência externa\" e que se aproveite dos jovens desempregados para lhes incutir a versão radical do Corão levando-os a praticar condenáveis actos de terrorismo.

Em 2017, foi detectado no norte de Moçambique um grupo de jovens instrumentalizados por cidadãos estrangeiros para em nome da religião muçulmana espalhar o terror, sobretudo na província de Cabo Delgado.

No início do mês passado, a polícia anunciou ter conseguido evitar que cerca de meia centena de cidadãos fossem transportados para fora de Cabo Delgado, onde tinham como missão efectuar o maior número possível de ataques contra a população.

Na verdade, Cabo Delgado tem sido o ponto central onde muitos jovens são instrumentalizados em mesquitas através de estudos islâmicos radicais, para depois serem levados para zonas remotas, muitas delas a mais de 2 mil quilómetros de distância, onde então atacam e saqueiam aldeias, até agora com uma total impunidade e sem apresentarem qualquer tipo de exigência.

Esta onda de ataques iniciou-se em Macímboa da Praia, a 1.500 quilómetros de Cabo Delgado, com o argumento de que a lei radical islâmica se deveria sobrepor à do Estado de Direito.

As autoridades referem também a possibilidade de existir uma motivação política por detrás destes ataques, uma vez que eles acontecem numa altura em que avançam os investimentos locais, por parte de companhias petrolíferas, em gás natural.

Relatórios de investigadores notam que há redes criminosas internacionais ligadas ao tráfico de heroína, marfim, rubis e madeira que estão presentes há vários anos na província de Cabo Delgado e sugerem que a onda de violência possa também estar ligada a essas redes.

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