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Presidentes da CEDEAO chegam sábado a Bissau

A ministra dos Negócios Estrangeiros da Guiné-Bissau, Susy Barbosa, disse, segunda-feira, que os seis líderes da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) chegam sábado ao país para comunicar as decisões da cimeira ao Presidente guineense.

A organização regional reforçou a segurança militar em instituições públicas e nas ruas dacapital
Fotografia: DR

“Os seis Chefes de Estado chegam no sábado e vêm comunicar as decisões da cimeira ao Presidente da República e garantir que o processo (para as presidenciais de 24 de Novembro) se desenvolve como previsto”, disse a ministra, contactada por telefone pela Lusa.
A CEDEAO decidiu, na sexta-feira, no Níger, durante uma cimeira extraordinária de chefes de Estado e de Governo, reforçar a componente militar na Guiné-Bissau (Ecomib) e advertiu o Presidente guineense, José Mário Vaz, de que qualquer tentativa de usar as Forças Armadas para impor um acto ilegal será “considerada um golpe de Estado”.
No comunicado final da cimeira extraordinária, realizada em Niamey, no Níger, os Chefes de Estado da CEDEAO decidiram “reforçar a Ecomib para permitir fazer face aos desafios que se colocam antes, durante e depois das eleições, nomeadamente com o reforço dos efectivos e do mandato” da Missão. No documento, recordam que o Presidente guineense, José Mário Vaz, é “um Presidente interino” desde 23 de Junho, quando terminou o mandato, e que “todos os seus actos devem ser subscritos pelo Primeiro-Ministro, a fim de lhe conferirem legalidade”.
A CEDEAO considera, por isso, “que qualquer recurso às Forças Armadas ou às forças de segurança será considerado como um golpe de Estado e levará à imposição de sanções a todos os responsáveis”. No comunicado, a organização regional reitera que reconhece Aristides Gomes como Primeiro-Ministro.
A Guiné-Bissau realiza eleições presidenciais no dia 24 e a segunda volta, caso seja necessária, está prevista para 29 de Dezembro. O país vive mais um momento de tensão política depois de o Presidente ter demitido o Governo de Aristides Gomes e ter nomeado um novo Primeiro-Ministro, Faustino Imbali.
O Conselho de Segurança da ONU apelou, segunda-feira à noite, em Nova Iorque, aos militares guineenses para não se imiscuírem na crise política que vive o país, reiterando, ao mesmo tempo o desejo de ver a eleição presidencial ter lugar a 24 de Novembro, como o previsto.
A reunião do Conselho de Segurança sobre a Guiné-Bissau foi a segunda em 10 dias, e foi solicitada pela Guiné Equatorial, Costa do Marfim e África do Sul. Os membros do Conselho de Segurança, depois de reafirmarem a legitimidade do Governo de Aristides Gomes, instaram-no a organizar as eleições presidenciais, nota um comunicado saído do encontro do órgão máximo da ONU.

PAIGC preocupado com abstenção

Domingos Simões Pereira, candidato à Presidência da Guiné-Bissau, está preocupado com o nível de abstenção, mas espera vencer as eleições de 24 de Novembro, na primeira volta.
“O povo é que decide. Eu penso que há uma grande determinação do povo em resolver tudo na primeira volta”, disse o candidato do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), defendendo a ideia de trabalhar para diminuir o nível de abstenção".
Domingos Simões Pereira, falava na segunda-feira aos jornalistas, em Canchungo, Norte da Guiné-Bissau, antes de iniciar mais um comício da campanha eleitoral. Segundo a Comissão Nacional de Eleições, a abstenção, nas últimas eleições legislativas realizadas em Março, foi da ordem de 15,3 por cento. Dos 761.676 inscritos, exerceram direito de voto 645.085 pessoas.

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