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Próximo líder do ANC é hoje conhecido

O partido no poder na África do Sul, o Congresso Nacional Africano (ANC), disse ontem que o anúncio do seu novo líder, sucessor do Presidente Jacob Zuma, é adiado para hoje.

Delegados escolhem hoje o sucessor do actual presidente do ANC, Jacob Zuma
Fotografia: AFP |

O adiamento deveu-se a atrasos no processo de comprovação das credenciais dos delegados.
O processo de votação para determinar o sucessor de Zuma já começou, sendo os dois principais candidatos o actual vice-presidente do ANC, Cyril Ramaphosa, e a ex-presidente da Comissão da União Africana e ex-mulher do Presidente Zuma, Nkosazana Dlamini-Zuma.
O vencedor poderá tornar-se o próximo Chefe de Estado sul-africano em 2019. “Esperamos ter os resultados amanhã (hoje) de manhã. Não queremos apressar os resultados, queremos fazer um trabalho adequado e meticuloso”, disse a secretária-geral adjunta do ANC, Jessie Duarte, numa conferência de imprensa, adiantando que os delegados com direito a voto serão “à volta de 4.700”. O início da conferência ficou marcada pela decisão de alguns tribunais declararem inválidas algumas das delegações escolhidas ao nível regional. De acordo com a líder da Liga Juvenil do ANC, Collen Maine, citada pela Reuters, a decisão impede que 122 dos quase cinco mil delegados presentes na conferência  possam votar.
“Não é invulgar atrasar as credenciais, fazemos isso pela credibilidade do processo”, para “não permitir qualquer possibilidade” de as eleições poderem ser depois legalmente contestadas, adiantou.
O ANC - no poder na África do Sul desde o final do regime de segregação do apartheid e da chegada ao poder de Nelson Mandela nas primeiras eleições livres da história do país, em 1994 - está reunido em congresso desde sábado, para eleger um novo líder.
O partido está actualmente em declínio, enfraquecido por uma crise económica persistente, caracterizada por uma taxa de desemprego recorde de 27 por cento e as múltiplas acusações de corrupção contra Jacob Zuma.  Uma vitória de Dlamini-Zuma é vista como uma continuação das políticas da actual Administração – que vários economistas dizem estar por trás do elevado desemprego e fraco crescimento. Por outro lado, Cyril Ramaphosa é o favorito para introduzir reformas económicas e travar a perda de prestígio do ANC.
As primeiras indicações dadas a partir das reuniões dos ramos regionais do ANC mostravam uma ligeira vantagem a favor de Ramaphosa, mas os delegados presentes na conferência têm liberdade de voto.
No ano passado, o ANC sofreu um significativo fracasso eleitoral com a perda do controlo de cidades como Joanesburgo e Pretória, estimando-se que possa perder em 2019 a sua maioria absoluta.
No discurso de abertura da conferência, Jacob Zuma pediu unidade aos delegados.  Zuma garantiu não apoiar oficialmente nenhuma das candidaturas, mas a generalidade dos analistas considera que a sua favorita é Dlamini-Zuma, sua ex-mulher.

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