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Rebeldes ugandeses voltam a atacar no Nordeste da RDC

Treze pessoas foram mortas, na terça-feira, à noite, na cidade de Halungupa, no Nordeste da República Democrática do Congo (RDC), num novo ataque atribuído aos rebeldes ugandeses das Forças Democráticas Aliadas (ADF), informou,hoje o Exército congolês.

Fotografia: DR

“Atacaram civis, saquearam lojas e até o hospital local foi atacado”, disse o porta-voz das Forças Armadas da RDC (FARDC), Mak Hazukay, à agência de notícias espanhola Efe, confirmando o número de mortos.
O ataque ocorreu por volta das 19h00 locais de terça-feira, naquela cidade da província de Kivu do Norte, e durou várias horas, porque terá havido uma resposta tardia do Exército, segundo declarações de um dirigente associativo local, Roger Masimengo, ao portal de notícias Actualité.
“Fomos informados tarde, mas conseguimos intervir”, disse, por seu lado, o porta-voz militar, que explicou que os ugandeses, que têm multiplicado os seus ataques nos últimos três meses, já não têm meios para agir e estão à procura de formas de sobreviver. A cidade de Halungupa ainda está vazia, porque a população fugiu durante o ataque, mas, de acordo com as FARDC, a área agora está segura.
Desde Novembro, registaram-se 53 ataques de rebeldes ugandeses da ADF na província congolesa do Kivu do Norte, matando 354 pessoas, de acordo com dados da autoridade que controla o número de acções de violência na região, a Kivu Security.
Nestes meses, a ADF triplicou o número de ataques, em comparação com meses anteriores, o que pode ser visto como uma vingança contra as operações do Exército para neutralizar o grupo armado, que é actualmente o mais mortífero no Congo.
Face à impossibilidade de conter os ataques e ao crescente descontentamento da população, o Exército e a Missão das Nações Unidas na RDC (Monusco) decidiram, em Dezembro passado, coordenar as suas operações contra os grupos insurgentes que estão a castigar aquela área.
Em Novembro, de facto, centenas de pessoas saquearam a sede da Monusco em Beni (Kivu do Norte), como forma de protesto contra a “passividade” daquela força face às incursões letais dos rebeldes ugandeses.
Este novo ataque coincide com a deslocação do Presidente da Assembleia Nacional Congolesa, Jeanine Mabunda, à cidade vizinha de Oicha para visitar os deslocados na sequência da violência.
Desde a queda do reduto da ADF em Madina, em Janeiro, os rebeldes têm procurado arranjar maneira de sobreviver, conseguindo através desses ataques, obter dinheiro e comida, disse o porta-voz das FARDC.
A ADF iniciou a sua violenta campanha, em 1996, no Oeste do Uganda, como resposta à política ao regime do Presidente ugandês, Yoweri Museveni, mas o Exército forçou a sua retirada para a fronteira com a RDC. A partir daí, fizeram incursões no território congolês, principalmente para saquear e obter alimentos.
O programa do grupo de rebeldes é difuso, porém, suspeita-se que tenha ligações à organização jihadista Estado Islâmico (IS) e têm um “modus operandi” que consiste em atacarem e esconderem-se, ajudados por uma geografia montanhosa. Este grupo armado foi anulado várias vezes na sua história e reapareceu novamente após alguns anos.
O Nordeste da RDC tem estado submerso num longo conflito alimentado por milícias rebeldes nacionais e estrangeiras e por ataques regulares de soldados do Exército, tudo sob a supervisão do Monusco, que tem mais de 18 mil elementos destacados no país.
Amanhã, decorre uma nova cimeira tripartida com os Presidentes de Angola (João Lourenço), do Uganda (Yoweri Museveni), do Ruanda (Paul Kagamé) e da República Democrática do Congo (Félix Tshisekedi).
Os Chefes de Estado do Ruanda e do Uganda procuram uma solução pacífica para a resolução do diferendo entre os dois países.

OGE revisto em baixa
A República Democrática do Congo (RDC) vai reduzir 50 por cento do seu orçamento para 2020, anunciou o Ministério das Finanças daquele país, em comunicado citado pela AFP. O plano de tesouraria sobre a execução do OGE apenas prevê 5,45 mil milhões de dólares e poucas receitas, refere ainda o comunicado do Ministério das Finanças.
Antes, o Fundo Monetário Internacional (FMI) já havia prevenido que o OGE inicial de 11 mil milhões de dólares não era realista, levando-o, em Dezembro último”, a emprestar a Kinshasa um crédito de urgência de 368,4 milhões de dólares para as necessidades urgentes em termos de balança de pagamentos.

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