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Reconciliação entre todos é fundamental para a paz

O ex-Presidente moçambicano Joaquim Chissano defendeu, quinta-feira,  em Maputo,  a reconciliação nacional como fundamental para uma paz sólida e afirmou que o país não se deve empenhar -se na estabilidade apenas quando emergem conflitos.

Joaquim Chissano manifesta confiança num acordo que ponha fim à guerra entre irmãos
Fotografia: Kindala Manuel | Edições Novembro

“A minha exortação é que devemos trabalhar para vivermos sempre reconciliados, porque não pode ser somente quando estamos desavindos”, afirmou Joaquim Chissano, que falava num concerto organizado pela Nunciatura Apostólica em Maputo, por ocasião do 25º aniversário do Acordo Geral de Paz (AGP), comemorado no passado dia 4 de Outubro.
Numa referência ao facto de ainda não ter sido assinado um novo acordo de paz entre o Governo e a Renamo, no diálogo político em curso, Joaquim Chissano lamentou o facto de o presidente do principal partido da oposição em Moçambique não ter estado presente no local, por ainda se encontrar refugiado na serra de Gorongosa, centro de Moçambique.
“Estou com muita pena que ainda não possa celebrar este concerto ao lado daquele que se preza muito por me chamar meu irmão, a quem eu desejo também muita paz”, afirmou o ex-Chefe de Estado moçambicano.
Joaquim Chissano apelou à paciência para que Moçambique alcance definitivamente a paz, declarando que a perseverança recompensa.
O antigo Presidente moçambicano disse ainda que o país deve apostar numa paz plena, acabando a criminalidade, violência doméstica e a elevada sinistralidade rodoviária.
O Acordo Geral de Paz foi assinado em Roma, a 4 de Outubro de 1992, por Joaquim Chissano, então Presidente de Moçambique, Afonso Dhlakama, presidente da Renamo e por representantes dos mediadores, a Comunidade de Santo Egídio, da Itália, pondo fim a 16 anos de guerra civil.
O Governo e a Renamo estão novamente envolvidos, desde 2016, em negociações para um novo acordo de paz, na sequência de surtos de violência militar que têm assolado o país nos últimos anos.

Encorajamento da igreja

O núncio apostólico em Moçambique, Edgar Pena, disse quinta-feira,  que o país está em condições de entrar para uma nova paz, no âmbito do diálogo entre o Governo e a Renamo, o principal partido da oposição em Moçambique.
Em declarações aos jornalistas, à margem do concerto alusivo ao 25º aniversário do Acordo Geral de Paz (AGP) em Moçambique, Edgar Pena afirmou que o Governo e a Renamo têm estado a debater temas centrais para o alcance de uma paz definitiva no país. “Está a trabalhar-se em dois temas importantes, que são o fundamento de um possível acordo, que é descentralização do Estado e todos os temas militares”, frisou o embaixador do Vaticano em Moçambique.
O alcance de uma paz estável no país, prosseguiu, depende da mobilização de todos os sectores da sociedade moçambicana, incluindo jovens e crianças. “Vemos os 25 anos de paz com esperança, é um caminho que temos feito, o país mostra que é possível superar as dificuldades”, acrescentou o núncio apostólico.

Previsão de crescimento
O primeiro-ministro moçambicano, Carlos Agostinho do Rosário, afirmou que a economia do país pode voltar a ter taxas de crescimento anuais de seis a sete por cento a partir de 2019.
“A implantação do projecto de produção de gás natural na bacia do Rovuma deverá criar uma dinâmica na nossa economia, que leva a prever que a partir de 2019 retomemos os níveis de crescimento de seis a sete por cento”, como registados até 2015, referiu, quinta-feira, numa conferência sobre investimento e negócios, em Maputo. Os investimentos nos mega-projectos de gás natural estão a avançar e espera-se que ganhem um forte impulso e visibilidade no terreno a partir do próximo ano, com vista ao início de exploração em 2023. Desta forma, o Governo espera fechar 2017 com uma taxa de crescimento do PIB de 4,7 por cento, saltando depois para 5,3 por cento em 2018, impulsionado pela agricultura, comércio, indústria extractiva, transportes e comunicações.
Ao mesmo tempo, a inflação deverá baixar 11,9 por cento em 2018, e as taxas de juro também, favorecendo os empréstimos bancários a pequenas e médias empresas e baixando o custo de vida no país, referiu.
O cenário desenhado é o oposto ao que se verificou em 2016, em que a moeda, metical, foi das que mais se desvalorizou no mundo e a inflação foi de 25 por cento, tornando ainda mais difícil a vida dos pelo menos 27 milhões de habitantes no país.
Um dos principais desafios a enfrentar agora, acrescentou  Carlos Agostinho do Rosário, é continuar as negociações com vista à assinatura de um acordo de paz.

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