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Reino de Marrocos é pioneiro na produção de energia solar

Victor Carvalho

O Governo marroquino acaba de anunciar que construiu na cidade de Ouarzazate, a maior fábrica do mundo para a concentração, produção e distribuição de energia solar.

O país dispõe da maior fábrica mundial de energia solar instalada num espaço no deserto
Fotografia: DR

Localizada no meio do deserto, numa enorme fazenda onde já foram produzidas importantes obras cinematográficas, como os filmes “Lawrence da Arábia” e “Gladiator”, esta fábrica pode abastecer de energia eléctrica, até ao final do ano, mais de um milhão de casas e reduzir para 760 mil toneladas anuais a emissão de carbono.
Inaugurada pelo rei Mohammed VI em 2016, a primeira das três fases do projecto de construção termo-solar acaba de ser concluída, o que permite começar desde já abastecer de energia as primeiras casas, servindo cerca de 600 mil pessoas que vivem num raio de 10 quilómetros em redor da cidade de Ouarzazate.
O continente africano, devido às suas características climáticas, possui excelentes condições para a produção de energia solar.
Um dos problemas que se coloca é que se trata de um tipo de produção que carece de avultados investimentos na construção de diferentes estruturas que permitam a acumulação e posterior distribuição desse tipo de energia.
O retorno financeiro do investimento é lento, o que desencoraja empresas potencialmente interessadas em participar no negócio.

Financiamentos externos

No caso concreto de Marrocos, para a construção da maior fábrica mundial de energia solar, o Banco Mundial disponibilizou um financiamento de 400 milhões de dólares a que se juntou um outro de 216 milhões de dólares providenciado pelo Fundo para as Tecnologias Limpas.
A obtenção destes financiamentos, contudo, foi antecedida de um trabalho profundo por parte do Governo marroquino, que lhe valeu o reconhecimento internacional como, sendo o país líder no desenvolvimento de projectos relacionados com o aproveitamento das energias renováveis.
Esse esforço foi recentemente reconhecido pelo Banco Mundial, que elogiou a decisão de o país ter um plano para que dentro de 10 anos ,97 por cento da energia utilizada  através do chamado “sistema limpo”, um objectivo arrojado e que se pode tornar pioneiro a nível mundial.
“O continente africano, sobretudo a região norte, onde está Marrocos, possui um tremendo potencial para gerar energia solar, sendo pena que muitos países não façam tudo para que esse sistema seja adoptado nos seus programas de Governo”, afirmou recentemente Sameh Mobarek, conselheiro do Banco Mundial.
Sameh Mobarek referiu que a Tunísia, outro país do norte de África, já tem planos para a construção de fábricas para acumulação de energia solar com o objectivo dela depois poder ser usada em alturas do ano com condições climáticas mais adversas.
No entanto, a Tunísia ainda tem esses planos um pouco atrasados o que está a dificultar a obtenção do desejado apoio financeiro por parte do Banco Mundial, devendo apenas ser em 2020 que deverá iniciar-se a construção de uma fábrica para acumulação e distribuição de energia limpa.
Neste momento, estão em curso estudos para avaliar os melhores locais que poderão acolher esse projecto. Só depois, o Governo tunisino avançará para a busca de parceiros e para a obtenção de financiamentos de modo a seguir os passos já dados por Marrocos.
A Escola de Estudos Africanos e Orientais está a colaborar com as autoridades tunisinas na elaboração dos referidos estudos e poderá também ter um importante papel a desempenhar na altura da análise dos projectos.

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