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União Africana convoca duas cimeiras de urgência

As crises no Sudão e na Líbia vão ser debatidas hoje no Cairo em duas cimeiras de urgência convocadas pelo Chefe de Es-tado egípcio e presidente em exercício da União Africana (UA), Abdel Fattah al-Sisi.

Mais de 200 pessoas morreram desde o início da ofensiva
Fotografia: Dr

Nas cimeiras vai estar em avaliação e discussão “a evolução da situação no Sudão”, onde o movimento de protesto continua activo após o derrube pelos militares do Presidente Omar al-Bashir, assim como os meios para mediar a crise na Líbia, “abalada com a ofensiva do marechal Khalifa Haftar sobre Tripoli”, refere um comunicado da Presidência egípcia, divulgado ontem.
No Sudão, Omar al-Bashir foi destituído a 11 de Abril depois de mais de quatro meses de contestação popular, inicialmente motivada pelo aumento dos preços do pão e de outros bens essenciais. Esses protestos acabaram por transformar-se num movimento contra al-Bashir, que liderava o país desde 1989, quando chegou ao poder através de um golpe de Estado.
Entretanto, os líderes dos manifestantes no Sudão anunciaram domingo à noite que cortaram todos os contactos que vinham mantendo com o Conselho Militar de Transição para concretizar a transferência do poder para um grupo civil.
De acordo com a BBC, o porta-voz dos manifestantes, Mohamed al-Amin, disse que a partir de agora o Conselho Militar de Transição passa a ser considerado como uma “extensão do regime de Omar al-Bashir”.
Durante todo o fim-de-semana, líderes do movimento civil estiveram reunidos para preparar o anúncio da composição do conselho encarregue de suceder ao Conselho Militar de Transição.
Durante todo esse período de tempo, uma equipa desse movimento manteve também alguns contactos com os mi-litares de modo a perceber a sua sensibilidade face a um ou outro nome em discussão para assumir interinamente o poder, chegando mesmo a admitir-se a possibilidade de ser criada uma comissão mista para preparar a criação de um governo unido de transição.
Ao mesmo tempo, no exterior do quartel-general do exército, em Cartum, um número crescente de manifestantes tinha-se juntado na esperança de tomar conhecimento antecipado da composição desse conselho civil para dar continuidade ao processo que principiou com a detenção e demissão do Presidente Omar al-Bashir.
Os manifestantes exigiam a prometida imediata libertação de todos os prisioneiros políticos e a detenção dos principais responsáveis pelo regime do antigo Presidente Omar al-Bashir.

Combates em Tripoli

O sul da cidade de Tripoli continua a ser palco de violentos combates que se intensificaram desde o início de uma contra-ofensiva por parte das forças leais ao Governo reconhecido pela comunidade ocidental e pelas Nações Unidas. Segundo um novo balanço da Organização Mundial da Saúde, morreram desde o início da ofensiva militar, desencadeada pelas tropas do marechal Khalifa Haftar, mais de 220 pessoas, o que já levou o Primeiro-Mi-nistro Fayez al-Serra a condenar aquilo que designou de o “silêncio da comunidade internacional.”
Ontem de manhã, o Primeiro-Ministro líbio disse que as suas tropas tinham efectuado sete ataques aéreos no sul da Tripoli contra posições já conquistadas pelos rebeldes de Khalia Haftar, não tendo pormenorizado o eventual número de vítimas.
No sentido oposto, alguns elementos que trabalham para organizações civis, disseram à BBC que as tropas do marechal Haftar continuam a avançar no terreno, consolidando as posições conquistadas e pre-
parando-se para um ataque eventualmente final sobre quartéis das forças governamentais na capital líbia.
A nível internacional, entretanto, prossegue o impasse para que as Nações Unidas possam tomar uma posição oficial em relação a mais este conflito, aumentando o nú-mero de países que se recusam a condenar a iniciativa do ma-rechal Haftar.
Na base desta posição, está o reconhecimento do seu papel na luta contra vários grupos terroristas que ainda permanecem na Líbia e que estariam agora a lutar ao lado das tropas governamentais. Khalifa Haftar, recorde-se é o responsável pelas derrotas que esses grupos terroristas sofreram no leste da Líbia de onde foram expulsos para se instalarem em Tripoli. De modo declarado, Haftar conta com o apoio do Egipto, Arábia Saudita e Emiratos Árabes Unidos, mas desfruta também da simpatia política da Rússia e dos Estados Unidos.

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