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Vital Kamerhe acusado de desviar fundos públicos

Vital Kamerhe, o influente director do Gabinete do Presidente Félix Tshisekedi, está a ser acusado de ter desviado 15 milhões de dólares americanos, tirados das receitas petrolíferas, noticiou hoje a AFP. Segundo a agência, tudo começou quando o Tesouro Público depositou 100 milhões de dólares para empresas petrolíferas como modo de compensar as suas perdas, devendo o Estado recuperar um desconto de 15 por cento do mesmo valor.

Director de gabinete do Presidente Félix Tshisekedi
Fotografia: DR

Um relatório da Inspecção Geral das Finanças, datado de 17 de Julho, a que a AFP teve acesso, denuncia que o desconto não beneficiou o Estado. “Os 15 por cento foram depositados a 20 de Junho deste ano na conta de um denominado Comité de Monitorização dos Produtos Petrolíferos, uma irregularidade que viola as disposições legais e os regulamentos que regem as finanças públicas”, sublinha o relatório.
Foi em Julho último, que a Inspecção Geral das Finanças recomendou a investigação do caso, depois da suspeita de desvio desse valor, citando Vital Kamerhe como sendo o responsável pela alegada irregularidade.
Ainda segundo a AFP, as ONG nacionais congolesas questionam-se sobre o papel desempenhado por Vital Kamerhe, no desvio do valor do tesouro público. Em meados de Agosto, os Serviços Secretos da RDC instaram a Inspecção Geral das Finanças a auditar as despesas dos ministérios do Governo cessante do primeiro-ministro, Bruno Tshibala. Na altura, especulava-se que o inquérito visava a gestão das finanças públicas por parte da Presidência da República.
Vital Kamehe, de 60 anos, uma pedra basilar de Joseph Kabila durante as negociações inter-congolesas para a pacificação do país, foi simultaneamente ministro da Comunicação Social do Governo de Transição (2004 a 2006) e presidente da Assembleia Nacional, de 2007 a 2009. Em contradição com o antigo Chefe de Estado, por causa da entrada de tropas rwandesas na RDC, em 2009, sem a autorização do Parlamento, ele foi forçado a demitir-se do cargo.
Em 2010, fundou o partido União para a Nação Congolesa (UNC) e na eleição presidencial de Novembro de 2011 ficou em terceiro lugar, atrás de Etienne Tshisekedi wa Mulumba, pai do actual Presidente da República.
Durante o encontro dos opositores políticos, na Suíça, em Novembro de 2019, foi o mentor do abandono do acordo sobre a escolha de Martin Fayulu como candidato único do LAMUKA, tendo criado o CACH com Félix Tshisekedi, que viria a ganhar a eleição presidencial. Caso as acusações se confirmem, elas seriam um revês na governação de Tshisekedi, que no seu programa prometeu combater seriamente a corrupção, mas cujo Executivo é maioritariamente dirigido pela Frente Comum para o Congo (FCC), de Joseph Kabila.

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