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Alemã Ursula von der Leyen nomeada presidente da Comissão Europeia

Os Chefes de Estado e de Governo da União Europeia chegaram ontem a acordo sobre as nomeações para os cargos institucionais de topo, designando a alemã Ursula von der Leyen para a presidência da Comissão Europeia, anunciou Donald Tusk.

Ministra da Defesa alemã, Ursula von der Leyen, ocupa o cargo de topo da União Europeia
Fotografia: DR

O compromisso alcançado ao fim de uma "maratona" negocial, que se prolongou em Bruxelas ao longo de três dias, desde as 18h00 de domingo (menos uma hora em Angola), contempla ainda a nomeação do Primeiro-Ministro belga em funções, o liberal Charles Michel, para a presidência do Conselho Europeu, do ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros, o socialista Josep Borrell, como Alto Representante da UE para a Política Externa e ainda da francesa Christine Lagarde para o Banco Central Europeu, ela que era apontada como forte candidata para suceder a Mário Draghi.
Até ao cair da noite de ontem, terceiro dia de negociações, continuavam as dúvidas sobre quem irá liderar a Europa.
Os lideres europeus tentavam, em Bruxelas, desatar o nó para a distribuição dos cargos de topo. No terceiro dia de negociações, vários planos estavam em cima da mesa mas nenhum parecia funcionar, e o mais recente passou no Conselho.
O nome da ministra alemã da Defesa, Ursula von der Leyen, foi o último a circular como potencial para o cargo de presidente da Comissão Europeia, para suceder a Jean-Claude Juncker. A informação já havia sido avançada por fontes próximas de duas delegações, sem, no entanto, se perceber quem o propôs.
Havia informações contraditórias que deixavam a iniciativa no eixo franco-alemão, ora atribuindo a ideia ao Presidente francês, Emanuel Macron, ora à chanceler alemã, Angela Merkel.
Com a militante do CDU alemão, do círculo restrito de Merkel, na presidência da Comissão Europeia, deixa a presidência do Conselho Europeu entregue ao liberal belga, actual Primeiro-Ministro do Governo de gestão, Charles Michel.
No plano, a presidência do Parlamento e a Alta Representação para a Política Ex-terna ficaria para a família dos socialistas. Margrethe Vestager entraria para a Comissão como vice-presidente e o socialista Holandês, Frans Timmermans, acompanharia a liberal dinamarquesa na Comissão Europeia, como primeiro vice-presidente.
O plano indicava também que os socialistas ficariam ainda com a Alta Representação da União Europeia para a Política Externa, com o actual ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros, Josep Borrell, a liderar a diplomacia europeia.

Outros modelos
O último modelo de distribuição que foi rejeitado, numa formação da reunião magna, incluiu nomes e cargos. O rascunho que esteve em cima da mesa garantia a liderança do socialista Frans Timmermans na Comissão Europeia. Deixava livre a presidência do Conselho para Kristalina Georgieva, membro do PPE, que era apoiada pelo grupo de Visegrado.
Uma fonte diplomática citada pelo DN avançava que o nome da Búlgara, directora do Banco Mundial, antiga comissária dos Orçamentos, agradaria até a alguns Governos socialistas, embora Georgieva nunca tenha sido chefe de um Governo. Mas, o argumento é que entre as várias possibilidades, ela tem no currículo a liderança de uma pasta europeia e o cargo de directora do Banco Mundial.
Kristalina Georgieva deixou o Executivo comunitário, em Novembro de 2016, para concorrer à liderança das Nações Unidas, perdendo para o português António Guterres.
Se esta distribuição tivesse sido mantida, a Alta Representação da União Europeia para a Política Externa seria entregue ao liberal belga, Charles Michel, tendo estado em cima da mesa um outro arranjo, que colocava Margrethe Vestager, actual comissária da Concorrência pelos liberais, a assumir a pasta que está agora entregue a Federica Moguerinhi.
A outra possibilidade para Vestager - que já foi proposta pelo Governo dinamarquês para continuar como comissária, no próximo mandato - é ser-lhe entregue a primeira vice-presidência da Comissão.
O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, salientou que todos os líderes da UE apoiaram o pacote de candidatos apresentados para cargos de topo, apesar da abstenção da Alemanha.
"Conseguimos chegar a um acordo sobre todo o acordo antes da primeira sessão do Parlamento Europeu (PE). Há cinco anos demorámos três meses e ainda assim houve líderes que contestaram, desta vez levámos três dias mas ninguém foi contra", salientou Tusk, acrescentando que "apesar de se ter abstido na indicação para a Comissão Europeia devido a problemas internos na coligação do Governo, pessoalmente a chanceler Merkel apoiou o conjunto" das escolhas.

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