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Alemanha pede à Rússia que "aprenda lição" com incidentes anteriores

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Heiko Maas, pediu hoje à Rússia para "aprender a lição" de incidentes anteriores entre os dois países, enquanto o político russo Alexei Navalny continua hospitalizado, com suspeitas de envenenamento.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Heiko Maas pediu à Rússia para esclarecer a situação, depois de casos como o ataque cibernético aos computadores do Parlamento alemão, em Maio de 2015.
Fotografia: DR

O opositor do Presidente russo, Vladimir Putin, encontra-se na capital germânica, Berlim, no hospital Charité que, na segunda-feira, alegou existirem indícios de envenenamento, segundo os exames realizados.

O chefe da diplomacia alemã pediu à Rússia para esclarecer a situação, depois de casos como o ataque cibernético aos computadores do Parlamento alemão, em Maio de 2015, e o assassínio do ex-combatante checheno Zelimkhan Khangoshvili, em 23 de Agosto de 2019, no parque Tiergarten, em Berlim, em que a Alemanha atribuiu as culpas à Rússia.

"É um caso sério e, tendo em conta a importância que Navalny tem para a oposição russa, tudo deve ser feito para encontrar a verdade. À luz de outros incidentes que vivemos, como o assassínio de Tiergarten ou a invasão dos computadores do Bundestag [Parlamento alemão], o Governo russo faria bem em mostrar que aprendeu a lição", disse Maas, durante uma visita a Atenas, capital da Grécia.

Se esclarecer o que se passou com Navalny, político que se sentiu mal durante um voo entre Tomsk e Moscovo, na quinta-feira, e foi depois hospitalizado, a Rússia demonstra que tem interesse em manter boas relações com a Alemanha e a União Europeia (UE), disse ainda o ministro do Governo liderado pela chanceler Angela Merkel.

Na segunda-feira, a chanceler da Alemanha instou a Rússia a encontrar e julgar os responsáveis por possível envenenamento de Navalny. Já o hospital universitário Charité avançou que Navalny sofreu uma intoxicação através de uma substância inibidora da colinesterase, enzima que actua junto de um neurotransmissor que controla os músculos, a acetilcolina.

O toxicologista Thomas Daldrup, da Universidade de Düsseldorf, na Alemanha, mostrou-se surpreendido com a incapacidade do hospital onde Alexei Navalny esteve inicialmente internado, em Omsk, na Sibéria, em diagnosticar a intoxicação e em aplicar atropina, o medicamento utilizado para o tratamento do político.

"Todos os médicos conhecem os sintomas: cãibras, alta produção de saliva, humidade na pele. Além disso, é rotina fazer-se um exame de colinesterase", disse. Outros políticos alemães, como o ex-ministro do Ambiente e especialista do partido Verdes em assuntos externos, Jürgen Trittin, disse não ter dúvidas sobre o envenenamento, mas reconheceu não ter a certeza se o ataque foi ordenado por Vladimir Putin ou por elementos do aparelho de segurança do Governo russo, agindo por conta própria.

Já Norbert Rötgger, especialista para assuntos externos do partido de Merkel, a União Democrata-Cristã (CDU, na sigla alemã), defendeu que a Alemanha e a UE devem manter o diálogo com a Rússia.

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