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Proposta do Brasil para gestão de arquivos

O Brasil apresentou à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) propostas de boas práticas na área da arquivologia, para os Estados-membros.

Documento tem como objectivo a preservação de documentos nos Estados-membros
Fotografia: João Gomes | Edições Novembro

O documento foi entregue pelo director-geral do Arquivo Nacional e Presidente do Conselho Nacional de Arquivos do Brasil, José Ricardo Marques, na sede da organização, em Lisboa.
Numa primeira abordagem, foram apresentadas propostas de boas práticas que o Arquivo Nacional do Brasil pode partilhar com instituições congéneres dos Estados membros, nomeadamente sobre a estrutura e gestão de arquivos nacionais, aplicação das novas tecnologias, formatação de políticas públicas para gestão da informação, preservando a história e o desenvolvimento da Comunidade.
José Ricardo Marques, que esteve quinta-feira na sede da CPLP, em Lisboa, abordou ainda potenciais projectos a desenvolver no futuro, no âmbito do IV Eixo-Património Cultural e memória histórica da CPLP, do Plano Estratégico de Cooperação Cultural Multilateral da CPLP 2014-2020.
No ano passado, o Brasil realizou o seu VII Congresso Nacional de Arquivologia (CNA), que teve como objectivo preservar a história documental como parte do processo de compreensão da sociedade. O profissional de arquivologia precisa de ter sólida formação cultural para saber avaliar a relevância dos documentos e objectos que manipula e bom preparo para trabalhar com produção documental de diferentes épocas históricas. Com o tema “Arquivologia: da interdisciplinaridade à interoperabilidade”, o congresso serviu para divulgar, reflectir e discutir as novas tendências da gestão arquivística e da informação, integrando professores, estudantes e profissionais da área.
A interdisciplinaridade debatida referiu-se à formação de arquivistas e técnicos, como garantia da interoperabilidade de sistemas e dados, para aprimorar a aplicação de políticas públicas e definição de estratégias para o benefício do cidadão.
O congresso foi também uma oportunidade para trazer luz sobre a importância que equipamentos como os arquivos públicos têm para o processo educativo e como a documentação é essencial para um melhor entendimento do passado e do presente. Além disso, temas como digitalização arquivística, memória e património, documentação audiovisual e acesso à informação estarão em pauta.
A arquivologia tem como missão prevenir a deterioração de documentos e recuperar os que se encontram danificados, orientar empresas, instituições e até pessoas físicas sobre como reunir e catalogar material relevante, sejam documentos ou objectos, a fim de criar um acervo, além da difusão educativa e cultural para orientar o público na consulta e no manuseio de documentos.
Outro campo da arquivologia, na área da documentação electrónica, é a criação de banco de dados, fazer microfilmagem e digitalização. Tem ainda grande utilização na racionalização de documentos e transcrição de arquivos, classificar e organizar documentos, a fim de agilizar a sua localização e seu uso. Na Declaração Constitutiva da CPLP, assinada em 1996, os Chefes de Estado e de Governo consideraram que a consolidação da realidade cultural nacional e plurinacional que confere identidade própria aos Países de Língua Oficial Portuguesa constitui um imperativo, reflectindo o relacionamento especial entre eles e a experiência acumulada em anos de profícua concertação e cooperação.
A cultura está no centro dos debates contemporâneos sobre a identidade, a coesão social e o respeito pela diversidade cultural, sendo crescente a importância que assume nas relações de cooperação e de intercâmbio, fundadas no interconhecimento e compreensão recíproca entre os homens. A área do globo terrestre ocupada pelos nove Estados-membros da CPLP é muito vasta. São 10.742.000 quilómetros quadrados de terras, 7,2 por cento da terra do planeta (148.939.063 km2), espalhadas por quatro continentes, Europa, América, África, Ásia.

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