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ANC conquista terreno à Aliança Democrática

Victor Carvalho

A comissão Eleitoral da África do Sul divulgou oficialmente ontem o resultado das eleições intercalares realizadas em duas províncias do país, Western Cape e Kwazulu-Natal, confirmando o triunfo do ANC face à Aliança Democrática, principal partido da oposição.

Estratégia adoptada pelo Presidente Cyril Ramaphosa permitiu alcançar importante vitória
Fotografia: DR

Nos dois círculos eleitorais da província de Western Cape, a diferença entre os dois partidos foi de 17 por cento, enquanto no Kwazulu-Natal foi de apenas 9,6.
Com estes resultados, a Aliança Democrática vê a posição naquelas duas províncias enfraquecida, o que permite ao ANC olhar com maior optimismo, mas ainda com alguma preocupação, para as eleições gerais previstas para o próximo ano.
O líder da Aliança Democrática em Western Cape, Bonginkosi Madikizela, admitiu que este desfecho traz mais desafios ao seu partido, não escondendo a frustração por um resultado que disse ser “totalmente inesperado.”
 “Não é segredo que, a partir de agora, temos pela frente uma série de desafios, sobretudo na Cidade do Cabo, onde contávamos ter um apoio substancialmente mais forte”, afirmou em declarações à imprensa e também lamentou que os pequenos partidos tenham “dispersado os votos.”
Bonginkosi Madikizela, que sublinhou que tem de aceitar o resultado da votação, mas não está feliz e prometeu trabalhar para as próximas eleições nacionais e provinciais. Um dos problemas com que a Aliança Democrática se debateu foi com a pouca disponibilidade do líder, Mmusi Maimane, para participar nos comícios e encontros realizados com a população votante daquelas duas províncias.

Ramaphosa apostou forte
Contrariamente ao que sucedeu com a Aliança Democrática, que parece ter menosprezado a importância destas eleições, o ANC apostou forte e fez deslocar às duas províncias que foram a votos, alguns dos principais líderes, entre eles o próprio Presidente Cyril Ramaphosa.
O secretário provincial em Western Cape do partido no poder, Faiez Jacobs, considerou por sua vez que esta vitória se deve à estratégia política adoptada por Cyril Ramaphosa.
“Esta nossa vitória em dois distritos eleitorais representa um importante avanço face à oposição e é também um aviso a alguns divisionistas que ainda estão no seio do ANC”, disse numa alusão directa aos apoiantes de Jacob Zuma. Estes resultados,  mostram, mais uma vez que os principais críticos e inimigos da actual direcção do ANC estão no interior do próprio partido.
Ficou claro, de novo, que o ANC está unido quando se trata de enfrentar a oposição, mas dividido quando o assunto coloca directamente em causa a estratégia política da sua direcção.
Trata-se de um braço de ferro entre os apoiantes de Cyril Ramaphosa e os de Jacob Zuma que teimam em manter uma disputa silenciosa extremamente perigosa para o futuro do ANC.
Aliás, a convocação de eleições intercalares para as províncias de Western Cape e de Kwazulu-Natal ficaram a dever-se, precisamente, às demissões recentemente apresentadas por alguns dos responsáveis locais do ANC em divergência com indicações emanadas pelo governo federal.
Os apoiantes de Jacob Zuma, aos poucos, querem abandonar lugares de responsabilidade governativa para se libertarem de compromissos com o Governo central, mas sem que isso signifique entregar as províncias à oposição.
Deste modo, a disputa interna no ANC promete ser intensa e durar até muito próximo da definição da lista de candidatos às eleições de 2019.
De recordar que dentro de uma semana tem início o julgamento de Jacob Zuma, acusado de vários crimes de corrupção. Este processo tem tendência acrescida para se transformar num intenso espectáculo mediático que, dependendo da forma como for gerido, pode projectar ou apagar para sempre a imagem política do anterior Presidente da República.

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