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Angela Merkel procura convencer os parceiros

A chanceler alemã, Angela Merkel, está sob pressão para dinamizar as negociações para a formação de uma nova coligação, enquanto aumenta o cepticismo que as mesmas cheguem a um bom termo.

Angela Merkel elabora plano para formar coligação com os “parceiros” depois das eleições
Fotografia: Tobias SCHWARZ | AFP

A União Democrata-Cristã (CDU) de Angela Merkel, a sua ala bávara, a União Social-Cristã (CSU), o Partido Liberal e Os Verdes mantêm posições desencontradas em alguns âmbitos.
Os pontos conflituosos mantêm desde o começo das negociações, como a imigração, combate à mudança climática e impostos. Mas, depois dos negociadores não alcançarem aproximações claras em quatro semanas, há dúvidas sobre se podem conseguir nas próximas horas.
Os negociadores estão num dilema difícil de resolver, já que por uma parte se espera deles que alcancem compromissos para chegar a um Governo estável, mas sabem, por sua vez, que as concessões que façam podem transformar-se numa provocação para as suas próprias bases.
Após ter o pior resultado eleitoral da CDU desde 1949, Angela Merkel não tem a mesma capacidade de manobra dentro do seu próprio partido que tinha há quatro anos, quando ficou apenas quatro cadeiras abaixo da maioria absoluta e pôde fazer concessões programáticas importantes aos social-democratas para formar Governo.
Agora, dentro de alguns sectores da CDU, há preocupação com a paulatina perda da identidade conservadora do partido, o que, de quebra, contribuiu para fortalecer à ultra-direitista Alternativa para a Alemanha (AfD). Essa perda de identidade poderia ver-se reforçada com concessões aos Verdes em matéria de política de imigração e de refugiados. A CSU, além disso, participa nas negociações no meio de uma luta de poder interna e com os olhos já voltados para as eleições regionais bávaras do próximo ano, nas quais o partido teme perder a sua maioria absoluta.
Nesse contexto, os negociadores da CSU tentam ganhar terreno nessa luta com posições duras, principalmente em relação aos Verdes, não só no tema de imigração, mas também em outros relacionados com a protecção do clima.
Da parte desse último partido, o primeiro-ministro do estado federado de Baden-Württemberg, Winfried Kretzschmann, manifestou inclusive a suspeita de que a CSU está a fazer o possível para que as negociações fracassem.
Os Verdes comprometeram-se a levar o acordo prévio a um congresso do partido, que deve autorizar que se comecem negociações formais para chegar a um acordo de coligação, razão pela qual têm que conseguir dos outros concessões programáticas fundamentais.
Já o Partido Liberal aposta tudo em conseguir uma redução tributária e nisso as outras partes estão dispostas a satisfazê-lo, embora haja divergências sobre o montante da mesma.
Os liberais já têm uma má experiência a esse respeito quando, entre 2009 e 2013, formaram aliança com Angela Merkel e só conseguiram reduções tributárias mínimas e pontuais, o que quatro anos depois foi duramente castigado pelos eleitores nas urnas.
Em todo o caso, nenhum dos quatro partidos quer assumir a responsabilidade por um possível fracasso das negociações, o que muito provavelmente levaria a novas eleições, um ponto ao qual ninguém quer chegar.
Segundo a última pesquisa da emissora de televisão alemã ZDF, se houvesse eleições no próximo domingo quase não haveria mudanças em relação aos resultados dos pleitos gerais de 24 de Setembro.
A CDU/CSU obteria 33 por cento dos votos, seguida pelo Partido Social-Democrata (21 por cento), a AfD (11, Os Verdes (12), o Partido Liberal (10) e a Esquerda (9 por cento), o que não abriria novas opções de Governo.
A chanceler Angela Merkel, segundo analistas, tem maior responsabilidade por estar à frente de um governo que sofreu praticamente uma derrota, que agora lhe coloca um grande desafio político: formar uma coligação, apesar da grende desvantagem saída das últimas eleições.
Merkel prometeu fazer alguns arranjos para permitir um acordo que satisfaça todas as partes. Porém, os partidos, que já gizaram as suas linhas, manifestaram pouco interesse em apreciar propostas fora do seu programa de negociações, o que abre perspectivas complicadas.

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