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Antigo movimento rebelde etíope reconvertido à democracia

Victor Carvalho

O “Patriotic Ginbot 7”, movimento rebelde etíope que até Julho de 2018 era considerado um grupo terrorista, acaba de ser legalizado no âmbito do programa de reconciliação nacional patrocinado pelo Primeiro-Ministro Abiy Ahmed e vai ser inserido no sistema multipartidário da Etió- pia para poder participar nas eleições do próximo ano.

Primeiro-Ministro apoia inclusão do “Patriotic Ginbot7” na grande família política etíope
Fotografia: DR

Deste modo, o “Patriotic Ginbot 7” junta-se à Frente de Libertação de Oromo e à Frente Nacional de Libertação de Ogaden no grupo de partidos já integrados no programa de reconciliação nacional.
Segundo o acordo, o “Pa-triotic Ginbot 7”, que deverá brevemente alterar a sua denominação, deve também eleger outros líderes que substituirão os históricos Andargachew Tsige e Ephrem Madebo.
Ambos deverão abdicar das suas posições, uma vez que possuem passaportes estrangeiros e o seu processo de nacionalização pode arrastar-se no tempo, uma vez que sobre eles pesam várias acusações, algumas delas passíveis de serem punidas com a pena capital.
Numa recente visita aos Estados Unidos e ainda no âmbito do processo de reconciliação nacional, Abiy Ah-med reuniu-se com um dos principais líderes da oposição etíope, Berhanu Nega, que poderá ficar à frente de uma ampla coligação de antigos movimentos rebeldes, denominada Aliança dos Cidadãos Etíopes para a Justiça Social, entre os quais poderá estar o “Patriotic Ginbot 7”.
De acordo com recentes declarações de Abiy Ahmed, a Etiópia deverá realizar eleições no próximo ano, um processo que se tornará no maior teste à sua política de abertura a todos os partidos que decidam abraçar a democracia.
De sublinhar que as próprias eleições estão a ser preparadas por uma mulher, Birukan Mideksa, que foi uma das mais empenhadas vozes da oposição até à chegada de Abiy Ahmed ao poder.

Distinção da Unesco

Para sublinhar todo o esforço do Primeiro-Ministro etíope, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) atribuiu-lhe o Prémio Félix Houphouët-Boigny de Fomento da Paz 2019 pelas suas acções na re-gião e por ter concluído o acor-do de paz com a Eritreia.
O anúncio foi feito pela Unesco através de um comunicado em que detalhava os motivos da decisão tomada por um júri internacional.
O corpo do jurado reconheceu “o mérito do galardoado pelas reformas empreendidas para consolidar a democracia e a coesão social”, refere o texto, que acrescenta que o prémio “é um incentivo para prosseguir o seu compromisso com a promoção da cultura de paz na região e no continente africano.”
Entretanto, no seguimento da sua forma peculiar de fazer política, Abiy Ahmed conse-guiu reunir este fim-de-se-mana 200 dos mais impor-
tantes empresários do país para um jantar de beneficência destinado a arrecadar fundos para serem aplicados em projectos de melhoria das infra-estruturas de Adis Abeba.
Cada convidado teve de pagar pelo jantar que decorreu no palácio do antigo imperador Menelik qualquer coisa como 173 mil dólares, desfrutando para lá da comida, também, da oportunidade de ter uma visita guiada ao histórico local a cargo do próprio Primeiro-Ministro.
O projecto que motivou a realização deste jantar destina-se à reconstrução dos parques da capital e à drenagem dos rios. Além da comida típica servida à refeição, os 200 em-presários tiveram o ensejo de tirar fotografias pessoais com o Primeiro-Ministro e de partilhar com ele algumas ideias quanto ao modo de revitalizar a capital etíope.
Anteriormente, Abiy Ah-med tnha já organizado jantares deste tipo para angariar fundos que foram aplicados noutros projectos espalhados pelo país.

 

 

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