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António Guterres entra em funções

BanKi-moon cumpriu ontem o último dia como secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

António Guterres entrou hoje em funções como Secretário-Geral das Nações Unidas
Fotografia: AFP

À meia-noite do dia 1 de Janeiro, após dez anos na liderança das Nações Unidas, BanKi-moon passou o testemunho ao português António Guterres, que começa a trabalhar na sede da ONU às 9h00 em ponto de terça-feira, 3 de Janeiro, porque amanhã é feriado.
Em dez anos, o secretário-geral cessante disse que quis ser “a voz daqueles que não têm voz na matéria” e ser o advogado “daqueles que são abandonados à sua sorte ou sem defesa”, afirmou BanKi-moon, exortando o pessoal da ONU “a continuar”. Entre as suas prioridades, destacou o desenvolvimento sustentável, o combate às alterações climáticas e a defesa da igualdade para mulheres e jovens.
O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros sul-coreano tenciona regressar à Coreia do Sul em meados deste mês e os analistas admitem que se vai candidatar à presidência do país. Após um longo périplo pelos corredores da ONU, com paragens frequentes para apertar cumprimentar ou responder a aplausos, BanKi-moon deixou o edifício a bordo de um Mercedes negro.
António Guterres, o novo secretário-geral, jurou a Carta das Nações Unidas a 12 de Dezembro e defendeu, durante a candidatura, uma reforma da ONU – organização que, no seu entender, perdeu a capacidade de prevenir conflitos. O português disse que quer encarnar o papel de “negociador honesto” que as Nações Unidas devem representar e prometeu guiar-se pela “dignidade humana”. Guterres disse quarta-feira querer encontrar-se com o Presidente norte-americano eleito, Donald Trump, “logo que seja possível” e que é sua “determinação estabelecer um diálogo construtivo com a nova administração”.
“Tive uma excelente reunião de trabalho com o Presidente Putin e espero que o mesmo possa vir a acontecer com Donald Trump”, disse, referindo-se ao encontro que manteve no final de Novembro com o Chefe de Estado russo, Vladimir Putin.
“Seguramente, terei o maior interesse em visitar Trump logo que isso seja possível”, disse Guterres, sublinhando que os Estados Unidos são “não só o principal financiador, mas um elemento fundamental em tudo o que é a acção das Nações Unidas”.
António Guterres afirmou que “há uma questão decisiva que é estabelecer um diálogo construtivo com a nova administração americana. Essa é a minha determinação e tudo farei para que assim aconteça”, afirmou.
Questionado sobre o cepticismo demonstrado por Donald Trump quanto ao aquecimento global, posição que mudou ligeiramente depois da eleição, ao afirmar que pode vir a apoiar acordos internacionais contra as alterações climáticas e que tem “uma mente aberta”, Guterres admitiu uma posição diferente da nova administração.
“Haverá seguramente do novo Governo uma posição diferente” da assumida pela administração de Barack Obama, disse, frisando a postura aberta da sociedade e das empresas norte-americanas.
O Governo chinês disse sexta-feira desejar ter uma “cooperação próxima” com António Guterres. China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia são os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU com direito a veto nas decisões da organização mundial.
“Desejamos ter uma cooperação próxima com o senhor Guterres e desenvolver as relações entre a China e a ONU”, afirmou em conferência de imprensa Hua Chunying, porta-voz do Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros.
Hua, que considerou Guterres “altamente experiente e capaz”, recordou que o diplomata português visitou a China em finais de Novembro e “alcançou consensos importantes” durante as reuniões que teve com os líderes do país. “Esperamos e acreditamos que o senhor Guterres vai liderar a ONU no sentido de cumprir com as obrigações escritas na Carta das Nações Unidas e utilizará a sua influência para preservar a paz mundial, promover o desenvolvimento comum e a cooperação global”, disse a porta-voz.
A porta-voz ofereceu ainda o apoio do Governo chinês ao novo secretário-geral. “Vamos apoiar firmemente as Nações Unidas, praticar o multilateralismo e salvaguardar a ordem internacional com base na Carta das Nações Unidas”, afirmou Hua.

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