Mundo

Irão promete retomar a actividade nuclear

O Irão vai recomeçar a actividade na Central Nuclear de Arak, um reactor nuclear iraniano de água pesada.

Em Maio Irão decidiu retirar-se parcialmente do acordo nuclear
Fotografia: DR

A informação foi avançada hoje pela ISNA, agência de notícias do país, citada pela Lusa, tendo como base as declarações do director da Organização de Energia Atómica do Irão, Ali Akbar Salehi. A água pesada pode ser utilizada em reactores para produzir plutónio, um combustível usado em bombas nucleares.

Em Maio, o Irão decidiu retirar-se parcialmente do acordo nuclear assinado em 2015 e ameaçou retomar o enriquecimento de urânio e o armazenamento de água pesada. Num discurso então transmitido pela televisão iraniana, Hassan Rouhani deu um ultimato. Os restantes signatários do acordo nuclear de 2015, Reino Unido, França, Alemanha, China e Rússia tinham 60 dias para cumprir com a promessa de proteger os sectores petrolífero e bancário do Irão.

No início de Julho, o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros reconheceu que o país começou a violar alguns dos termos do acordo nuclear, nomeadamente ao ultrapassar a quantidade de hexafluoreto de urânio (UF6) autorizada.Dias depois, o Presidente Hassan Rouhani declarou que Teerão iria aumentar os níveis de enriquecimento de urânio e reiniciar a actividade no reactor de água pesada caso as restantes nações signatárias continuem sem proteger o comércio iraniano, afectado pelas sanções impostas pelos Estados Unidos.

Sob o acordo, o país estava autorizado a armazenar apenas quantidades limitadas de urânio enriquecido, de água pesada e a exportar os excessos.
Sábado, o Reino Unido, França, Alemanha, Rússia e China reuniram com representantes iranianos em Viena, Áustria, para discutir a forma de salvar o acordo.
           

Em declarações à agência Efe, o Presidente iraniano, Hasan Rohaní, culpou os Estados Unidos pelos "incidentes e tensões" no Golfo Pérsico, sublinhando que a presença de forças externas naquela região não contribui para a segurança."Os desagradáveis incidentes e as tensões na região devem-se à saída unilateral dos EUA do Plano Integral de Acção Conjunta Global (PIACG)”disse.O governante sublinhou ainda que o Irão "nunca iniciou tensões com outros países".

Neste sentido, Hasan Rohaní defendeu que a presença de forças estrangeiras no Golfo do Pérsico "não só não contribui para a segurança, como também é a principal causa das tensões na região".

No dia 1 de Julho o Irão reconheceu ter excedido o limite de reservas de 300 quilos de urânio enriquecido previsto no JCPOA assinado em Julho de 2015 com as principais potências mundiais, no primeiro grande desafio ao acordo e um ano após a retirada unilateral dos Estados Unidos deste plano de acção.

O regresso das sanções norte-americanas após a retirada unilateral do JCPOA decidida por Donald Trump em 2018 implicou um quase total isolamento do Irão do sistema financeiro internacional, para além de perder a quase totalidade dos países que adquiriam o petróleo.Desde então, o Golfo do Pérsico tem sido cenário de vários ataques a petroleiros.

Tempo

Multimédia