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Presidente sul-coreano dá garantia de estabilidade

O Presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, voltou a garantir ontem que uma guerra na Península Coreana é algo que “nunca mais” vai ocorrer e assegurou que os Estados Unidos não vão desencadear qualquer acção militar contra a Coreia do Norte sem o consentimento de Seul.

Chefe do Estado-Maior do Exército norte-americano visitou ontem Pequim e conversou com as autoridades chinesas sobre a questão norte-coreana
Fotografia: Wang Zhao | Pool | AFP

O gesto apaziguador de Moon Jae-in, elogiado por muitos co-cidadãos, reflecte a posição de um estadista que tenta convencer as autoridades norte-coreanas a retomarem o diálogo a seis sobre a desnuclearização da península.
Numa conferência de imprensa para assinalar os primeiros 100 dias no cargo, Moon Jae-in disse ter a “certeza” de que “nunca mais volta a acontecer uma guerra na Península Coreana” e minimizou a importância das declarações beligerantes do Presidente norte-americano nos últimos dias.
“Os EUA e o Presidente Donald Trump também concordaram em discutir qualquer opção que possam tomar com a Coreia do Sul”, disse Moon Jae-in, de acordo com declarações veiculadas pela agência sul-coreana “Yonhap”.
As palavras de Moon Jae-in chegam poucos dias após uma escalada de tensão verbal entre Washington e Pyongyang, que fizeram ameaças militares um contra o outro.
O Presidente sul-coreano afirmou que as palavras de Trump tinham como objectivo aumentar a pressão sobre Pyongyang, e não indicar uma acção militar iminente contra a Coreia do Norte.
“Acredito que o Presidente Trump tentou pressionar a Coreia do Norte ao mostrar firmeza. Não, necessariamente, a determinação de optar por uma acção militar”, considerou.
Moon Jae-in disse na terça-feira que o seu governo “vai evitar uma guerra a todo custo” e pediu às autoridades norte-coreanas que apostem no diálogo. “O governo (sul-coreano) vai evitar uma guerra a todo custo. Devemos resolver pacificamente o problema nuclear norte-coreano, mesmo com todos os obstáculos”, disse Moon Jae-in durante uma cerimónia em Seul do Kwangbok Jeol, o dia da independência nacional no qual é festejado o fim do domínio colonial japonês, que durou 35 anos (1910-1945).

Dunford em Pequim

Num encontro realizado ontem em Pequim, o general Fan Changlong, o “número dois” da hierarquia militar chinesa, apelou ao chefe de Estado Maior do Exército norte-americano, Joseph Dunford, para que Washington descarte uma intervenção militar na Coreia do Norte.
“O diálogo é a única solução para a crise nuclear na península da Coreia e uma acção militar não deve ser considerada opção”, afirmou Fan, vice-presidente da Comissão Militar Central, segundo um comunicado do Ministério chinês da Defesa. “Desejamos que a China e os EUA colaborem para promover a resolução desta crise e a paz e estabilidade na península”, disse Fan a Dunford, o mais alto quadro do Exército norte-americano a visitar a China desde que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ascendeu ao poder. O general chinês disse ainda que alguns “erros dos EUA”, como o apoio militar a Taiwan ou a instalação do escudo antimísseis THAAD, na Coreia do Sul, “têm um impacto negativo nas relações”, entre as Forças Armadas Chinesas e norte-americanas.
A visita de Dunford ocorre uma semana depois de a troca de ameaças entre Washington e Pyongyang ter elevado as tensões na região.

Nos últimos dias, a situação   estabilizou, com ambos os lados a afastarem a hipótese de uma intervenção militar. A porta-voz da diplomacia chinesa, Hua Chunying, disse que a “situação começa a mostrar sinais de desanuviamento, apesar de continuar a ser sensível”. “A prioridade é travar o programa nuclear coreano e deter a escalada de tensões”, afirmou Hua, que defendeu a proposta chinesa de oferecer a Pyongyang o fim das manobras militares conjuntas entre Coreia do Sul e EUA, em troca do fim dos testes nucleares e com mísseis balísticos, realizados pelas autoridades norte-coreanas lideradas por Kim Jong-un.

António Guterres oferece mediação e diplomacia abrangente

O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, afirmou quarta-feira que as consequências de uma eventual acção militar na Coreia do Norte são “demasiado horríveis só de pensar” e ofereceu os seus “bons ofícios” para mediar um diálogo internacional com Pyongyang.
Numa conferência de imprensa, o líder da ONU pediu a todas as partes para apostarem na diplomacia e para diminuírem a retórica de confronto registada nas últimas semanas, particularmente entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte.
“À medida que as tensões aumentam, também há o risco de mal-entendidos, erros de cálculo e de escalada”, avisou Guterres, acrescentando que “é importante reduzir a retórica e aumentar a diplomacia.”
“A solução desta crise deve ser política. As eventuais consequências de uma acção militar são demasiado horríveis só de pensar nelas”, realçou. Nesse sentido, o Secretário-Geral da ONU ofereceu-se para mediar um possível diálogo entre o regime de Pyongyang e as grandes potências internacionais. “Os meus bons ofícios estão sempre disponíveis e transmiti ontem [terça-feira] essa mensagem aos países membros que participam nas negociações a seis (Estados Unidos, Rússia, Coreia do Sul, Coreia do Norte, China e Japão)”, indicou.
As negociações a seis, lançadas em 2003 após a saída de Pyongyang do Tratado de Não Proliferação das Armas Nucleares, estão actualmente suspensas. “Estou pronto para ajudar de qualquer maneira”, reforçou. Segundo António Guterres, existem várias maneiras possíveis de diálogo, passando por diferentes formatos bilaterais ou por reuniões a seis.

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