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Aumenta número de deslocados

Um estudo divulgado esta semana sobre a situação humanitária em África nos últimos seis meses reafirma que o aumento dos conflitos violentos e a insegurança alimentar no continente são factores que agravam a crise e obrigam milhares de pessoas a abandonar as suas casas ou a procurar refúgio noutros países.

Mais de 70 por cento dos deslocamentos internos em África é causado por conflitos, referem dados das Nações Unidas
Fotografia: CHARLES BOUESSEL | AFP Charles Bouessel | afp

Um relatório da União Africana sobre a situação humanitária em África, de Julho de 2017 a Janeiro de 2018, revela que a República Democrática do Congo, com 4,1 milhões, detinha, até Outubro de 2017, o número mais alto de deslocados internos.
O documento, cujos dados foram fornecidas pelos Estados Membros à Comissão da UA e das Nações Unidas, observa que o aumento de conflitos violentos e tensões intracomunitárias forçou mais de 1,7 milhões de pessoas a fugirem das suas casas (5.500 por dia). A insegurança provocou que 7.7 milhões vivessem numa situação de insegurança alimentar grave.
Em todo o país, pelo menos 8,5 milhões de pessoas precisam de assistência e protecção humanitária, perto de 2 milhões de crianças estão afectadas por desnutrição aguda grave (12 por cento dos casos do mundo) e surtos de doenças como cólera. O relatório acrescenta que, ao mes­mo tempo, a RDC também acolhe 26,236 refugiados nomeadamente do Burundi, RCA e Sudão do Sul.
Por seu lado, na Bacia do Lago Chade, no Sudão do Sul e na Somália os impulsionadores da insegurança alimentar extrema são uma combinação de conflitos e as variações climáticas, havendo até ao final de 2016 5,6 milhões de refugiados e requerentes de asilo e mais de 12 milhões de deslocados internos na região. Entretanto, o documento ressalta que os países africanos continuam a demonstrar níveis exemplares de solidarieda­de, destacando-se os Camarões, o Chade, a RDC, a Etiópia, o Quénia, o Sudão e o Ugan­da que acolhem 4,9 milhões de refugiados.
Cerca de 3,9 milhões de pessoas tornaram-se novos deslocados dentro do seu próprio país, albergando o Sudão do Sul mais de 2 mi­lhões de deslocados internos, Sudão 2,9, RDC 2,9 e Somália 2,6, sendo as mais vulneráveis mulheres e crianças. Calcu­la-se que mais de 70 por cento do deslocamento interno em África seja causado por conflitos.
Por outro lado, a instabilidade gerada pelo colapso das estruturas de governação na Líbia e a concomitante criação de um espaço desgovernado, deu azo à onda crescente de travessias perigosas irregulares do mar Mediterrâneo por muitos emigrantes africanos, o que levou o presidente da Comissão da UA a proceder ao envio de uma missão de alto nível para consultar imigrantes, refugiados, requerentes de asilo, autoridades e parceiros humanitários.
Quanto a efeitos dos fenómenos climáticos como o El Niño e La Niña foram gravemente afectados na África Oriental a Etiópia, Quénia, Uganda, Somália e Burundi, ao passo que na África Austral o Lesoto, Suazilândia, Zimbabwe, Namíbia, Malawi e África do Sul.
No concernente à análise por regiões, o relatório sublinha que na Líbia, Norte, existam mais de 20.000 pessoas, maioritariamente emigrantes, em centros de detenção, em diferentes partes do país, objecto de abusos e exploração hedionda, como trabalho forçado, escravidão e extracção de órgãos.
A Argélia alberga 165.000 refugiados saharauis em situação de vulnerabilidade e qualquer redução ou interrupção da assistência alimentar, terá impacto severo na segurança alimentar e situação nutricional dos refugiados, razão pela qual a UA apela à Comunidade Internacional a acautelar na melhoria das condições extremas e penosas no território.
Relativamente à região central, o documento afirma que a República Centro-Africana é um dos poucos países do mundo onde quase uma pessoa, em cada duas, depende de ajuda para sobreviver. O número, quer de refugiados, quer de deslocados internos atingiu a cifra mais alta jamais registada de 1.1 milhões de pessoas. Em Junho de 2017 o número de deslocados internos excedia 600.000, o que representa um aumento de quase 50 por cento desde Janeiro de 2017.
O documento faz saber que a redução do espaço humanitário em todo o país, num contexto de deterioração da segurança, tornou cada vez mais difícil a realização de actividades de protecção e de prestação de assistência essencial. De acordo com o Acnur e os seus parceiros, mais de 7.000 centro-africanos atravessaram a fronteira para os Camarões.
No Burundi, até Abril de 2017, cerca de 237.393 pessoas fugiram para a Tanzânia, enquanto cerca de 85.733 e 37.354 fugiram para o Ru­anda e para a RDC, respecti­vamente. O Uganda recebeu outro grupo de 34.801 bu­rundeses durante o mesmo período.
No que concerne aos Ca­marões, o documento assinala que depois da Nigéria, é o segundo país mais afectado pela crise do Lago do Chade. As incursões além-fronteiras do Boko Haram, os ataques bombistas suicidas e o agravamento da insegurança provocaram o deslocamento significativo e aumentaram a vulnerabilidade da população local na Região do Extremo norte.
Até Outubro de 2017 havia 237.967 pessoas deslocadas na Região do Extremo Norte e 332.000 estavam registadas como refugiadas.
Já na Região Oriental e do Corno de África, no Sudão do Sul cerca de 3,9 milhões ou um terço da população estava deslocada, sendo 1,8 milhões deslocadas internas e cerca de 2,1 milhões nos países vizinhos. O Uganda acolhe a maioria da população refugiada do Sudão do Sul, com 1.035.703 pessoas, seguido pelo Sudão com 454.660 e Etiópia 41.366 de refugiados.

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