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Autores da repressão civil arriscam-se à pena capital

O chefe-adjunto do Conselho Militar de Transição no Sudão, general Mohamed Hamdan Daglo, prometeu no fim-de-semana a pena de morte por enforcamento para os autores da repressão ao protesto popular em Cartum, que deixou dezenas de mortos e provocou indignação internacional, anunciou ontem a AFP.

Responsáveis da repressão aos manifestantes serão enforcados
Fotografia: DR

“Trabalhámos duro para enviar para a forca aqueles que fizeram isso”, disse o general Mohamed Hamdan Daglo, apontando contra “toda a pessoa que cometeu um erro ou um abuso”, num discurso transmitido domingo à noite pela televisão pública.
Estes responsáveis, se-gundo confirmou ontem um dos líderes do Conselho Militar de Transição, serão em breve enviados para julgamento devendo a sentença ser aplicada num prazo de tempo nunca superior a 60 dias. O líder militar, citado pela Reuters, recusou divulgar a identidade dos responsáveis pela morte de mais de 100 civis para, segundo ele, “não in-fluenciar a decisão dos juízes que os vão julgar.”
Na última sexta-feira, o Conselho Militar reconheceu pela primeira vez ter ordenado a dispersão dos manifestantes que participavam de um protesto no dia 3 de Junho, diante da sede do Exército em Cartum, que deixou mais de 100 mortos, segundo médicos próximos dos organizadores das manifestações.
Em 11 de Abril, os militares assumiram o poder após a destituição e a prisão do Presidente Omar al-Ba-shir, que enfrentava uma onda de protestos e que na última semana foi indiciado por corrupção.
No domingo, o líder do Conselho Militar de Transição, general Abdel Fattah al-Burhan, reiterou perante o país a disponibilidade para retomar as conversações com os movimentos civis de modo a ser constituído um Conselho Soberano para preparar as próximas eleições no Sudão.
De acordo com a imprensa local, têm decorrido encontros informais entre civis e militares de modo a encontrar uma agenda que permita voltar a sentar à mesma mesa responsáveis das duas partes para se encontrar uma solução consensual para a resolução do actual impasse nas negociações políticas.

Optimismo da Liga Árabe
O secretário-geral da Liga dos Estados Árabes, Ahmed Abou al-Gheit, exprimiu em Cartum, o optimismo em relação à evolução da situação política e à instauração de um sis-
tema de Governo aceitável para todos os sudaneses, anunciou a Agência Sudanesa de Notícias (Suna).
Al-Ghjeit falava à imprensa no termo de uma audiência que lhe concedeu em Cartum o presidente do Conselho Militar de Transição (CMT) do Sudão, o tenente-general, Abdul Fatah al Burhan.
O encontro versou essencialmente sobre os últimos desenvolvimentos da situação no Sudão e os esforços empre-endidos pelo CMT para a busca de um consenso com o objectivo de instaurar um Governo interino no país.
Segundo a Suna, Abul Gheit chegou domingo a Cartum, à frente de uma delegação da Liga Árabe, para ajudar a ultrapassar o actual impasse político e de segurança que reina no país desde finais de 2018.
A visita dos oficiais da Liga Árabe ao Sudão, segundo o presidente da organização, tem como objectivo dar a co-nhecer às autoridades locais a determinação e os esforços incansáveis que estão a ser feitos para o regresso da segurança e da estabilidade ao país.
Entretanto, o Conselho Militar de Transição rejeitou domingo a proposta da Etiópia para pôr fim ao impasse político sobre a composição de um futuro Governo.
A proposta do mediador etíope, que a oposição por sua vez aceitou, sugere um conselho soberano formado por sete civis e sete membros das Forças Armadas, com um assento adicional reservado a uma personalidade imparcial, revelou a agência de notícias Reuters.
O porta-voz do CMT, o tenente-general Shams-Eddin Kabashi, afirmou concordar em princípio com a proposta da União Africana (UA). “A iniciativa da UA chegou primeiro”, disse, acrescentando que o Conselho Militar ainda não estudou a proposta etíope, que descreveu como “unilateral.”
“Pedimos aos mediadores que unam esforços e apresentem um documento conjunto o mais rapidamente possível para que as partes voltem às negociações”, declarou ainda.

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