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Base americana atacada com mísseis em Bagdad

Pelo menos, quatro mísseis atingiram, ontem, uma base militar com soldados norte-americanos em Bagdad, mas sem causar vítimas mortais, de acordo com um porta-voz do Exército, citado pela Reuters.

Mais um objectivo militar dos EUA foi atingido no Iraque
Fotografia: DR

Os Estados Unidos têm atribuído responsabilidade por estes ataques a grupos paramilitares apoiados pelo Irão. Ninguém assumiu, ainda, a autoria do ataque.
Pelo menos, oito pessoas morreram, em Janeiro, de-pois de três mísseis terem atingido o Aeroporto Internacional de Bagdad, três dias após um ataque à Embaixada norte-americana na capital iraquiana por manifestantes pró-Irão.
Estes ataques surgiram na sequência da escalada de tensões com os Estados Unidos depois de milícias iraquianas terem invadido a Embaixada norte-americana em Bagdad, em 31 de Dezembro.
O ataque à Embaixada durou dois dias e apenas terminou quando o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o envio de mais 750 soldados para o Médio Oriente.

Manifestações
Centenas de iraquianos manifestaram-se, ontem, com imagens de um activista que gostariam de ver como Primeiro-Ministro, no lugar de Mohamed Allawi, o líder no-meado pela classe política que apresentará novo Governo esta semana.
Na cidade sagrada xiita de Kerbala, a sul de Bagdad, algumas centenas de estudantes empunharam fotos de Alaa al-Rikaby, um farmacêutico que se tornou uma figura de protesto na região de Nassiriya, protagonizando movimentos de revolta no Sul do Iraque.
O homem, de cabeça careca e rosto redondo, com um largo bigode, fez recentemente um referendo junto dos apoiantes para decidir se deveria ser candidato ao cargo de Primeiro-Ministro.
No Twitter, al-Rikaby tem dezenas de milhares de seguidores e publica regularmente vídeos com elevados níveis de visualização nas redes sociais.
Na quinta-feira, o activista anunciou que, se tiver um bom resultado no referendo improvisado, aceitará o repto e lançará a sua candidatura política.
A decisão do activista acontece no momento em que o Primeiro-Ministro indigitado, Mohammed Allawi, anunciou que levará o Governo a um voto de confiança no Parlamento, esta semana, prometendo ministros independentes, condição apresentada pelo poderoso líder xiita Moqtada Sadr, que detém o controlo do sistema político iraquiano.
Desde de Outubro, que o Iraque está mergulhado na mais grave crise política da história recente, com sucessivas vagas de manifestações a exigir a revisão do sistema político e a renovação completa da classe dominante.
O movimento de revolta já provocou cerca de 500 mortos e mais de 30 mil feridos, levando à formação de vários movimentos que procuram afirmar-se como alternativa ao sistema político vigente.
O fenómeno da emergência do activista farmacêutico de Kerbala ilustra o estado de contestação que tem tomado conta das ruas de várias cidades iraquianas nos últimos meses.
"Temos muitas exigências e uma delas é a nomeação de um Primeiro-Ministro independente e de um Governo não associado a partidos, como Alaa al-Rikaby", disse, ontem, Hassan al-Qezouini, um estudante apoiante do farmacêutico, durante a manifestação em Kerbala.
Antes de Rikaby, também Fayeq al-Sheikh Ali, um outro activista crítico do Governo apresentou-se como candidato a formar um futuro Executivo.
Apesar destas candidaturas espontâneas e das manifestações de protesto, que se repetem, o processo político para a formação de um novo Governo prossegue, com a protecção do líder xiita Moqtada Sadr, que já anunciou o apoio ao futuro Governo de Allawi.

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