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“Boby Wine” acusa Museveni de o “asfixiar”

Víctor Carvalho

Robert Kyagulanyi, deputado da oposição celebrizado pela música com o nome de “Bobi Wine”, acusou no fim- de-semana o Governo do Uganda e o Presidente Youweri Museveni de o estarem a “asfixiar” financeiramente por terem decidido boicotar os seus concertos e intimidar os patrocinadores.

Deputado e cantor ugandês, Bob Wine, está desde há dois anos em rota de colisão com o Governo
Fotografia: DR

“Bobi Wine”, disse à Reuters que desde 2017, altura em que tomou posse como deputado da oposição, viu serem cancelados 124 concertos que já estavam agendados, o que levou alguns dos patrocinadores a abandonarem-no com medo de represálias por parte do Governo.
Considerado um dos cantores mais populares do Uganda, “Bobi Wine” está desde há dois anos em rota de colisão com Museveni, que chegou a dizer que ele estava a preparar a sua candidatura para as próximas eleições presidenciais, previstas para 2021.
Uma das formas de impedir que “Bobi Wine” se candidate é fazer com que seja inelegível, por força da Constituição, conseguindo uma condenação judicial por via do processo que lhe foi instaurado.Precisamente há quatro meses, o cantor e deputado foi detido pela primeira vez e depois acusado de participar num ataque à pedrada contra uma caravana automóvel onde seguia o Presidente da República.
Detido, espancado e após comparecer perante um tribunal militar, “Bobi Wine” foi evacuado para a África do Sul onde recebeu tratamento médico aos ferimentos que lhe foram infligidos durante a detenção.
De regresso ao Uganda, foi novamente detido quando se preparava para dar um espectáculo, tendo a Polícia alegado que tinha violado o estatuto de detido em prisão domiciliária.
Desde então não mais apareceu em público, tendo apenas agora decidido falar à Reuters para voltar a acusar o Governo. O Presidente Museveni já reagiu, dizendo que se trata de uma estratégia para ir a votos nas eleições presidenciais de 2021.

Acidentes que se repetem
Nove pessoas morreram e dezenas estão dadas como desaparecidas em consequência do naufrágio de uma embarcação no distrito de Hoima, oeste do país.
A embarcação, que transportava 50 jogadores de futebol e dezenas de adeptos da modalidade, virou-se por suposto excesso de peso devido à superlotação, disse à BBC uma fonte policial local.
Os atletas e os adeptos acabavam de participar num torneio de futebol realizado em Runga, tendo a embarcação naufragado escassos minutos depois de ter saído do embarcadouro.
Algumas testemunhas do acidente referem que além do excesso de peso, a embarcação transportava também uma banda musical que terá provocado alguma agitação entre os passageiros levando a algum desequilíbrio que terá contribuído para o desastre.A Polícia marítima foi chamada ao local, tendo conseguido resgatar 32 pessoas com vida, além de ter ajudado também a transportar alguns dos sobreviventes para os hospitais mais próximos.
Há três anos, em dois naufrágios distintos, morreram um total de 50 pessoas no Lago Albert também devido à superlotação das embarcações e à inexistência de coletes de salvação disponíveis em número suficiente.
Num desses dois acidentes encontravam-se também dezenas de futebolistas, equipa técnica e adeptos.

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