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Brancos não são maioria em eleições no Brasil pela primeira vez

As eleições municipais deste ano no Brasil, agendadas para 15 de Novembro, terão, pela primeira vez desde 2014, uma maioria não branca a concorrer para os cargos de prefeitos e vereadores.

Fotografia: DR

Os dados foram recolhidos hoje pelo portal de notícias G1, junto do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e mostram que as eleições de 2020 têm a maior proporção e o maior número de candidatos negros já registados pela justiça eleitoral desde 2014, ano em que o órgão começou a recolher dados referentes à cor.

 Segundo dados do TSE, cerca de 215 mil candidatos são 'pardos' (termo usado no Brasil para identificar o tom de pele fruto de uma miscigenação) e aproximadamente 57 mil são 'pretos'.

Juntos, 'pretos' e 'pardos' são considerados 'negros' pela classificação utilizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Assim, as eleições de 2020 têm cerca de 272 mil candidatos negros, o que representa 49,9 por cento de todos os concorrentes ao sufrágio municipal. Em relação aos candidatos que se autodeclaram brancos, o número é de 260,6 mil, totalizando 47,8 por cento dos concorrentes.

Assim, pela primeira vez, os brancos não são maioria em eleições no país sul-americano. Nas últimas eleições municipais, em 2016, 52,4 por cento dos candidatos eram brancos e 47,8 por cento eram negros. Proporção semelhante foi encontrada no sufrágio de 2018, quando 52,4 por cento dos concorrentes eram brancos e 46,6 por cento eram negros.

 Além de brancos, pretos e pardos, são distinguidas outras classificações, como 'amarelos' ou indígenas. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2019, feita pelo IBGE, 42,7 por cento dos brasileiros declararam-se como brancos, 46,8 por cento como 'pardos', 9,4 por cento como 'pretos' e 1,1 por cento como 'amarelos' ou indígenas.

 Contudo, os brancos ainda são maioria entre os candidatos para prefeito (63%) e vice-prefeito (59%). Os brancos não são maioria apenas na disputa para vereador: 47 por cento.

A questão racial tem sido cada vez mais discutida no Brasil, com o TSE a aprovar no mês passado uma divisão proporcional de recursos de financiamento de campanhas e de tempo de antena em rádios e televisões entre candidatos negros e brancos nas eleições.

Na decisão, os magistrados defenderam que a divisão dos fundos com recursos públicos para as campanhas, assim como o tempo de antena, deveria ser proporcional aos critérios também de género. A primeira volta das eleições municipais brasileiras para eleger ou reeleger prefeitos e vereadores dos 5.570 municípios do país está marcada para 15 de Novembro.


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