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Britânicos receiam um "Hard Brexit"

Osvaldo Gonçalves

O novo Primeiro-Ministro britânico, Boris Johnson, que tomou posse a 24 Julho último reafirmou, no seu primeiro discurso, que o Reino Unido vai deixar a União Europeia (UE) a 31 de Outubro com ou sem acordo com o bloco comunitário e reconheceu que a opção de um rompimento mais duro tem “possibilidade remota” de ocorrer.

Primeiro-Ministro britânico
Fotografia: DR

Um "no-deal Brexit" (saída sem acordo de transição com a UE) causa, entretanto, temores entre os britânicos, nomeadamente entre os membros do Governo, como aponta um relatório divulgado no domingo pelo jornal “Sunday Times”. O Reino Unido estaria sujeito a meses de caos de transportes e carência de artigos básicos, acarretando carestia de géneros alimentícios, medicamentos e combustíveis em caso de um “hard brexit”, como também já está a ser chamado. Uma saída sem acordo, como propõe Boris Johnson, causará congestionamento dos portos britânicos, e 85 por cento dos camiões que usam os portais de ingresso entre a Inglaterra e a França “podem não estar prontos” para a Alfândega francesa.
Com o colapso, que pode durar três meses, haveria uma redução dos suprimentos de alimentos frescos e até em compras antecipadas pelo pânico.
A advertência coincide com as tentativas do novo PM de tentar forçar Bruxelas a reabrir as negociações sobre o acordo do divórcio entre o país e a UE, fechado pela antecessora, Theresa May. Johnson, que é esperado esta semana na Europa, para encontros com a Chanceler alemã, Angela Merkel, e o Presidente francês, Emmanuel Macron, tem insistido que Londres abandonará o bloco europeu a 31 de Outubro, com ou sem acordo.
O relatório, já considerado “alarmista” e que alguns referem como sendo um cenário hipotético, criado para o Executivo ter em atenção um possível ponto de situação sobre a crise, avança ainda que os atrasos nas fronteiras causariam severos distúrbios de tráfico, sobretudo em torno da capital, Londres, e do Sudeste da Inglaterra, capazes de afectar o fornecimento de combustível, além de terem grande impacto sobre os suprimentos de remédios e equipamentos médicos, grande parte dos quais sai da Europa.
Quem, do outro lado do Atlântico, esfrega as mãos de contente é o Presidente dos EUA de olho nas oportunidades de negócio.

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