Bruxelas deve resgatar mais refugiados na Líbia


20 de Abril, 2017

Fotografia: Alessandro Fucarini| AFP

As embarcações de patrulha da União Europeia no mar Mediterrâneo estão a colocar vidas em risco por operarem muito longe do litoral da Líbia, onde os migrantes embarcam em viagens perigosas para a Europa, disse na terça-feira o director de uma organização de resgate.


Cada vez mais migrantes arriscam-se na travessia em barcos frágeis e superlotados à medida que o clima melhora durante a primavera local. Quase 9 mil pessoas, a maioria formada por africanos, foram resgatadas durante o fim de semana da Páscoa, disseram agências de assistência da Organização das Nações Unidas (ONU).
“A Europa precisa de resgatar as pessoas porque não pode permitir que morram na sua porta dos fundos”, disse Chris Catrambone, empresário norte-americano que co-fundou a Estação de Auxílio a Migrantes no Exterior com a sua esposa italiana, Regina, em 2014.
Chris Catrambone falava por telefone da embarcação de resgate Phoenix, que depois de um final de semana de muito trabalho rumava para a Sicília com 463 imigrantes a bordo, entre eles 170 mulheres e crianças, e sete corpos recuperados do mar. Entre sexta e domingo, mais de oito mil migrantes foram resgatados no mar Mediterrâneo Central e ao largo da Costa da Líbia.  Pelo menos dois mil imigrantes foram resgatados no domingo no Mediterrâneo Central, onde também foram encontrados sete corpos de um naufrágio, anunciaram a Guarda Costeira da Itália e ONG que operam nesta área um dia.
Os resgates de domingo juntaram-se aos 4.500 imigrantes resgatados no sábado e aos cerca de 2 mil na sexta-feira.  De acordo com os dados do Ministério do Interior italiano, só este ano, e sem contar com os últimos três dias, chegaram ao país 27.000 imigrantes, mais 35 por cento do que no mesmo período do ano passado, sendo que 3.557 são menores desacompanhados.
Actualmente a travessia da Líbia para a Itália é a principal rota imigratória para a Europa. Mais de 181 mil pessoas aportaram às praias italianas no ano passado, e este ano testemunhou cerca de um terço a mais de recém-chegados em reacção ao mesmo período de 2016.
Estima-se que cerca de 850 migrantes morreram no Mediterrâneo este ano, o que faz com que se questione se colocar mais barcos  de resgate e patrulhar mais perto da Líbia não estimula o fluxo de imigrantes e aumenta o lucro dos traficantes de pessoas.

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