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Carlos Gomes promete reatar projecto “Bauxite Angola” e do Porto de Buba

António Pimenta | Bissau

O candidato independente às eleições presidenciais de domingo, na Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, afirmou que se for eleito Presidente, tudo fará para o restabelecimento das relações entre Angola e o seu país.

Carlos Gomes Júnior afirma que a Guiné-Bissau precisa de diálogo permanente para evitar conflitos belicistas e garantir a paz
Fotografia: DR

Carlos Gomes, que falava em entrevista exclusiva concedida ontem ao Jornal de Angola, referiu que se for eleito Presidente será o garante da Constituição, mantendo um diálogo permanente com o Governo no sentido de se implementar os grandes projectos que a Guiné-Bissau tem por realizar.

Convidado a pronunciar-se sobre os projectos, Carlos Gomes, que se considera já o grande vencedor das eleições de domingo, avançou, como referência, no caso concreto de Angola, os projectos da “Bauxite Angola” e do Porto de Águas Profundas de Buba.
“Estarei sempre aberto ao diálogo e, aproveitando as influências internas e externa que tenho, tentarei exercer uma diplomacia de influências permanente junto dos nossos parceiros no desenvolvimento do país, salientou.
Carlos Gomes, que considerou Angola um país irmão, referiu que, é através do diálogo permanente com o Governo que vai tentar encontrar o melhor caminho para a abertura das portas dos principais parceiros de desenvolvimento e onde Angola aparece nos lugares cimeiros. Nas suas intervenções, Carlos Gomes Júnior tem estado a apelar aos eleitores a evitarem as abstenções e exercerem a cidadania depositando os votos nas urnas para a escolha de quem os vai governar.
O antigo Primeiro-Ministro manifestou-se confiante que a população venha a aderir em massa aos postos de votação por encararem este escrutínio como uma saída para se pôr fim ao clima de instabilidade permanente que, desde há algum tempo, enferma o país.
Mesmo tendo como certa a eventualidade de uma segunda volta, Carlos Gomes assegura que será ele o vencedor se houver um vencedor na primeira volta.
“Se há um candidato capaz de ganhar as eleições na primeira volta esse candidato sou eu”, asseverou.
Contrariamente ao que muitos pensam, Carlos Gomes discorda das pessoas que apontam a Constituição do país como a grande causadora dos problemas de instabilidade política que a Guiné-Bissau atravessa.
“A nossa Constituição é igual a Constituição de Portugal e a de Cabo Verde, que estabelece o semi-presidencialismo como forma de Governo, mas lá não existem problemas, sentenciou”.
Por esta razão, Carlos Gomes descartou a hipótese de mudança da Constituição se for eleito Presidente, referindo que “nesta primeira fase vai ser necessário continuar com a Constituição que temos”.
“Como sabe, nós somos dos poucos países lusófonos que estamos ao mesmo tempo na francofonia. “Temos uma Constituição que é diferente da que os outros têm, mais para o presidencialismo. Como temos constatado, em muitos destes países sempre houve também instabilidade permanente” afiançou.
Instado a pronunciar-se se, à parte os problemas internos, não há o problema das hegemonias regionais a influenciar a instabilidade negativamente na Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior admitiu que existem esses problemas, mas considerou normal os choques de interesses para um país de expressão oficial portuguesa e membro da CPLP, com cultura diferente à da francofonia.
Mas defende, no entanto, uma maior entrega dos governantes em defesa dos interesses soberanos. “Seria importante que os nossos governantes tivessem um espírito maior de nacionalistas, capaz de defender, em primeira instância, os interesses do “nosso país e do nosso povo”.
“A Guiné-Bissau precisa de diálogo permanente para evitar esses conflitos belicistas e garantir a estabilidade e a paz permanente”, salientou.
Na opinião de Carlos Gomes, os conflitos permanentes entre o Presidente e o Primeiro-Ministro precisam de ser analisados para se ver o que está mal e tentar encontrar-se solução para esse mal que paralisa o país.

“Caça” ao voto
Um movimento frenético de políticos e seus apoiantes, está previsto para hoje, quinta-feira, 21 de Novembro, penúltimo dia da campanha. Os candidatos do PAIGC, Domingos Simões Pereira, e do Madem, Umaro Sissoco, são esperados em Bafata, para tentarem conquistar nesta região os votos dos eleitores.
Amanhã, Domingos Simões estará em Bissau onde vai encerrar a sua campanha.
O candidato independente Carlos Gomes tem agendado para hoje um encontro com empresários guineenses, para no fim da tarde participar num comício no bairro de Bandin, em Bissau.
José Mário Vaz, Presidente cessante, tem agendado um encontro com os observadores das eleições.

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