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CDC África quer testar dez milhões de pessoas em quatro meses

O director do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças Africano (CDC África) defendeu hoje a importância dos testes generalizados à Covid-19, planeando testar dez milhões de africanos nos próximos quatro meses.

Director do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças Africano (CDC África), John Nkengasong.
Fotografia: DR

"Lançámos uma iniciativa de testes em larga escala, que foi apresentada aos chefes de Estado africanos e o objectivo imediato é testar um milhão de pessoas nas próximas quatro semanas, aumentando para dez milhões nos próximos quatro meses e 20 milhões até final do ano", disse John Nkengasong durante a conferência de imprensa virtual semanal do CDC África.

Nkengasong vincou a importância dos testes e salientou que já foram feitos 415 mil testes no continente, lamentando que, ainda assim, que o continente esteja "a correr atrás do prejuízo"."Se não testarmos em grande escala estamos cegos, é como pilotar um avião sem sistema de rádio, não conseguiremos estar à frente da curva, e isso é muito importante também para reabrir as economias, porque um dos indicadores para sabermos se podemos ultrapassar a fase do confinamento é saber quem está infetado e depois seguirmos os contactos de cada uma dessas pessoas para testarmos toda a gente", disse o responsável.

Doação milionária

Na semana passada, John Nkengasong anunciou que iria realizar em breve um milhão de testes, tendo feito, desde Domingo, dia em que chegou ao continente a doação do milionário chinês Jack Ma, 73 mil testes de infecção pela covid-19.

"Estamos a correr atrás do prejuízo, mas temos de conseguir estar à frente da curva", disse o director do CDC África, uma entidade que funciona no âmbito da União Africana. Questionado sobre se África poderá ser o próximo centro mundial da pandemia, John Nkengasong respondeu que qualquer país pode ser o próximo, mas argumentou que estão a ser feitos esforços para que isso não aconteça.

"Qualquer país pode ser o próximo centro da pandemia, mas se fizermos algumas coisas vamos conseguir evitar que isso aconteça, não é uma profecia que se vai cumprir, e é por isso que temos de testar, é assim que conseguiremos evitar uma catástrofe", defendeu. Apontando o isolamento social e o confinamento como "essenciais para evitar uma explosão da propagação", Nkengasong reconheceu que "isto não significa que os países estejam a conseguir controlar a propagação, mas sim que sem medidas de isolamento a propagação seria explosiva".

O número de mortos provocados pela Covid-19 em África subiu para 1.242 nas últimas horas, com quase 26 mil casos registados da doença em 52 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia naquele continente.

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