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CEDEAO apela ao fim das manifestações de rua

O enviado especial da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) para o Mali apelou, na terça-feira, ao fim das manifestações públicas no país e à continuidade do diálogo a poucas horas de um novo protesto, noticiou, a Reuters.

Ex-Presidente nigeriano Goodluck Jonathan chefia missão da Cedeao para tentar ajudar a resolver a crise no Mali
Fotografia: DR


“Convido os organizadores das manifestações a mostrarem contenção. Toda a comunidade internacional sabe que existem dificuldades no Mali. Estamos a tentar ajudar o povo maliano a resolvê-las”, disse o ex-Presidente nigeriano Goodluck Jonathan, em conferência de imprensa, em Bamako, na noite de terça-feira.

“Já não há necessidade de organizar manifestações continuamente. A organização destas manifestações expõe principalmente os jovens” e “os bens dos malianos ao vandalismo”, disse o enviado especial. O representante da CEDEAO considerou que o país “está a fazer progressos”, com “a criação do Tribunal Constitucional” e que a resolução dos problemas deve “permanecer estritamente no quadro do diálogo”.

O antigo líder nigeriano chegou a Bamako, na terça-feira, para assistir à tomada de posse dos nove membros do Tribunal Constitucional nomeados, no dia 7, de acordo com recomendações da CEDEAO, do final de Julho, para tentar tirar o país da crise política.
O Tribunal Constitucional é visto como dos desencadeadores da actual crise política, depois de ter invalidado, no final de Abril, cerca de 30 resultados das eleições legislativas, incluindo uma dúzia a favor da maioria do Presidente Ibrahim Boubacar Keïta, no poder desde 2013.
Jonathan deverá encontrar-se, hoje, com o Presidente Keïta e uma delegação da maioria presidencial, disse fonte da comitiva, citada pela agência France Press.

Na terça-feira, o enviado especial da CEDEAO esteve reunido com o imã Mahmoud Dicko, um dos líderes do movimento que desafia o poder no Mali, de acordo com a mesma delegação. Desde a decisão do Tribunal Constitucional de invalidar os resultados legislativos, uma coligação de opositores, líderes religiosos e membros da sociedade civil tem vindo a pedir a saída do Presidente Keita.
No fim-de-semana de 10 de Julho, uma manifestação degenerou em três dias de confrontos violentos que causaram, pelo menos, 11 mortos. Edifícios públicos, como a Assembleia Nacional, foram vandalizados.
Desde 2012, o Mali tem, também, enfrentado ataques “jihadistas” do Norte e confrontos inter-comunitários. A violência atingiu o centro do país e Estados vizinhos como o Níger e Burkina Faso.

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