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CEDEAO adverte políticos que dificultam consensos

Líderes da Comunidade Económica da África Ocidental (CEDEAO) voltaram a ameaçar com sanções as autoridades guineenses face à situação de crise política prevalecente  no país.

Missão da Comunidade da África Ocidental deplora falta de progressos na Guiné-Bissau
Fotografia: Charles Bouessel | afp

O chefe da diplomacia do Togo, Robert Dussey, que liderou uma missão da comunidade da CEDEAO a Bissau, admitiu, quinta-feira, a possibilidade de a organização sancionar políticos guineenses que estejam a dificultar consensos no país.
Esta possibilidade foi transmitida num comunicado final de mais uma missão de mediação que a Comunidade Económica de Estados da África Ocidental tentou, entre quarta e quinta-feira, junto de líderes políticos guineenses, visando acabar com a crise que afecta o país há cerca de três anos.
Robert Dussey, que liderou a missão integrada pelo secretário-geral da presidência da Guiné-Conacri, Nabi Bangoura, disse ter constatado que, findo o prazo de 30 dias que a CEDEAO havia concedido às autoridades da Guiné-Bissau, desde a cimeira da organização realizada em Dezembro, na Nigéria, não se registaram progressos no cenário político do país lusófono.
A CEDEAO deu 30 dias aos dirigentes guineenses para que cumpram com o Acordo de Conacri, um instrumento elaborado pela organização, com o qual se pretende, entre outros, alcançar o consenso na nomeação do primeiro-ministro.
Por não terem sido alcançados progressos na aplicação do Acordo, Dussey afirmou que o bloco sub-regional vai iniciar “os procedimentos adequados para aplicação de sanções contra todas as pessoas que impedem a efectiva implementação do Acordo de Conacri”. Uma fonte da organização sub-regional disse à comunicação social que os termos e os nomes das individualidades ou entidades a serem sancionadas serão analisados na reunião extraordinária da organização que terá lugar antes do final do mês ou em Lomé (Togo) ou em Addis Abeba (Etiópia).
O chefe da diplomacia togolesa, que esteve em Bissau mandatado pelo líder do seu país, Faure Gnassimbé, presidente em exercício da CEDEAO, reafirmou que a organização reitera o seu apoio ao povo da Guiné-Bissau ao mesmo tempo que insta os actores políticos a privilegiarem o diálogo para a resolução da crise.
Saliente-se que o Presidente guineense, José Mário Vaz, exonerou, esta semana, Umaro Sissoco Embalo do cargo de primeiro-ministro, função que vinha ocupando há 16 meses, por falta de aceitação da parte do PAIGC. De acordo com o partido vencedor das últimas legislativas na Guiné-Bissau, mas que está impedido de formar Governo, a indicação de Umaro Sissoco Embalo, pelo Chefe de Estado, violava o acordo de Conacri, que estipulava a nomeação de uma personalidade de consenso e de confiança do Presidente da República.
O PAIGC exige a indicação de Augusto Olivais para ocupar o cargo de primeiro-ministro, tal como o acordado em Conacri.

Apelo de Carlos Gomes

O antigo primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, regressado quinta-feira a Bissau depois de cinco anos a residir entre Portugal e Cabo Verde, apelou ao diálogo para ultrapassar a crise que afecta o país nos últimos anos.
Carlos Gomes Júnior, cujo Governo foi deposto pelos militares a 12 de Abril de 2012, disse, em curtas declarações aos jornalistas no aeroporto de Bissau, que se sentia feliz “pelo calor humano” de milhares de guineenses que o acolheram e seguiram um cortejo que o acompanhou até a um hotel onde vai ficar hospedado.
Visivelmente emocionado, o ex-chefe do Governo guineense, que apareceu com o seu tradicional gorro castanho na cabeça, disse estar disposto a ajudar a promover o diálogo visando a reconciliação entre os guineenses.
“Eu estou disposto. Eu sou empresário, mas estou na política activa desde 1994, enquanto deputado, dirigente do parlamento, presidente do PAIGC durante 12 anos. Hoje estou cá para abraçar os meus irmãos, arranjar a via do diálogo, encorajá-los”, afirmou Gomes Júnior. Assumindo-se “sem compromissos com ninguém”, afastou, para já, qualquer candidatura a cargos públicos electivos, mas salientou que a nova geração de políticos tem responsabilidades com o mundo e com a geração vindoura no país. Disse ser triste que as divergências estejam a impedir o progresso de um país que afirmou ter potencialidades.

 

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