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Chefe da Diplomacia britânica acusa Irão de desestabilizar o Médio Oriente

As tensões entre Londres e Teerão subiram de tom depois de o Reino Unido ter apreendido um petroleiro iraniano. Hunt já disse que o petroleiro seria libertado se Londres recebesse a garantia de que o petróleo não se destina à Síria.

Chefe da diplomacia britânica afirma que o Irão apresenta atitudes "profundamente desestabilizadora"
Fotografia: DR

O ministro Negócios Estrangeiros britânico, Jeremy Hunt, julgou hoje a abordagem do Irão no Médio Oriente como "profundamente desestabilizadora", mas expressou o seu desejo de que haja uma "redução nas tensões" com os iranianos. Esta segunda-feira, Jeremy Hunt participa numa reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE), na capital belga.
Antes da reunião, Hunt escreveu numa mensagem no Twitter: "A caminho de Bruxelas para discussãoes urgentes sobre como reduzir as tensões com o Irão. A sua abordagem (do Irão) ao Médio Oriente tem sido profundamente desestabilizadora, mas queremos reduzir as tensões (...) sobre (o petroleiro) Grace 1 e evitar uma região nuclearizada. No entanto, um acordo é um acordo e se um dos lados o rompe...", disse o diplomata citado pelo Diário de Notícias.
Trata-se do Acordo Nuclear de 2015. Assinado em 2015 pelo Reino Unido, Alemanha, França, o conjunto da União Europeia, Estado Unidos, Irão, China e Rússia, postula que o Irão limite as suas actividades nucleares em troca do alívio das sanções económicas contra o regime. Contudo, o acordo tem vindo a fragilizar-se. Em 2018, os Estados Unidos retiraram-se unilateralmente do acordo e reestabeleceram pesadas sanções contra o Teerão, agravando a crise económica no país e fazendo com que a sua moeda caísse significativamente. Em resposta à retirada dos EUA, o Teerão começou a deixar de cumprir alguns dos seus compromissos, nomeadamente em relação ao enriquecimento de urânio acima dos níveis estabelecidos no acordo.
No passado dia 4, as tensões aumentaram, quando a polícia de Gibraltar, auxiliada pela marinha britânica, apreendeu o Grace 1, um petroleiro iraniano. Os britânicos suspeitam que o petróleo teria como destino a Síria, o que constituiria uma violação das sanções europeias contra o regime de Bashar al-Assad.
O Teerão desmentiu essa versão e denunciou a apreensão do navio como um "acto de pirataria". No sábado, Hunt disse que o petroleiro seria libertado se Londres recebesse a garantia de que o petróleo transportado não se destina à Síria.
O ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, afirmou que as tensões no Médio Oriente podem representar uma ameaça existencial à humanidade, a menos que o acordo nuclear com o Irão seja mantido.
"O Médio Oriente já é uma das regiões mais instáveis do mundo, mas se os diferentes partidos estivessem armados com armas nucleares, tal representaria uma ameaça existencial à humanidade. Farei tudo o que estiver ao meu alcance para impedir que isso aconteça."

 

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