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China adverte para corrida às armas e conflitos

A instalação de mísseis de médio alcance na Ásia por Washington impulsionará uma corrida às armas, avisou ontem a China, advertindo ainda para “uma escalada de conflitos militares”, após os Estados Unidos testarem um míssil na Califórnia.

Porta-voz chinês, Geng Shuan
Fotografia: DR

Militares norte-americanos testaram no domingo um míssil de médio alcance na costa da Califórnia - um lançamento que seria ilegal há algumas semanas, antes de Washington se ter retirado do Tratado de Armas Nucleares de Médio Alcance com a Rússia, em vigor desde 1987.
O teste “terá consequências graves para a segurança regional e internacional” e “prova que o verdadeiro objectivo da retirada americana era (...) avançar sem restrições para o desenvolvimento de mísseis” e “para a superioridade militar unilateral”, afirmou Geng Shuang, porta-voz do Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros.
O porta-voz chinês alertou que a medida de Washington “revitalizaria a corrida às armas e levaria à escalada de confrontos militares.”
Em Fevereiro passado, os Estados Unidos começaram a retirar-se do tratado, acusando a Rússia de estar a desenvolver mísseis que não cumprem o que estava estabelecido no pacto.
Assinado em 1987 por Ronald Reagan e Mikhail Gorbachov, então presidentes dos Estados Unidos e da antiga União Soviética, respectivamente, o tratado aboliu o recurso a um conjunto de mísseis de alcance, entre os 500 e os 5 mil quilómetros, e pôs fim à crise desencadeada na década de 80, com a instalação dos SS-20 soviéticos, visando capitais ocidentais.
Após a retirada do tratado, o secretário de Defesa dos Estados Unidos disse que quer instalar mísseis convencionais de médio alcance na região Ásia-Pacífico, “dentro de alguns meses.”
O Governo chinês disse, então, que “não vai ficar de braços cruzados” e que vai tomar contra-medidas, sem avançar mais detalhes.

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