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China anuncia restrições recíprocas a diplomatas dos Estados Unidos

A China anunciou, ontem, “restrições recíprocas” contra diplomatas norte-americanos, depois de Washington ter dito que os emissários chineses precisavam de aprovação do Governo para se reunir com autoridades locais ou para realizar eventos culturais.

Fotografia: DR

“Para exigir que os Estados Unidos revertam as suas decisões erradas, o mais depressa possível, a China enviou uma nota diplomática anunciando restrições recíprocas”, diz uma mensagem divulgada pelo Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros.
No dia 3, o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, anunciou uma série de novas restrições à actividade diplomática chinesa no país, agravando ainda mais as graves tensões entre as duas potências mundiais, cujas relações começaram a deteriorar-se com o início da guerra comercial que travam desde Março de 2018.

Embora não especifique as medidas recíprocas anunciadas, a diplomacia chinesa lembra que tanto a Embaixada americana como todos os consulados - incluindo o da região de Hong Kong - bem como os seus funcionários, serão afectados por esta medida.
“As medidas são a resposta legítima e necessária da China às iniciativas erradas dos Estados Unidos”, acrescenta o documento, que indica que essas restrições serão canceladas se Washington tiver o mesmo comportamento com os diplomatas chineses nos EUA. De acordo com Pequim, as mais recentes limitações diplomáticas anunciadas pelo Governo do Presidente Donald Trump “violam gravemente as leis internacionais e as regras básicas que regem as relações internacionais e perturbam as relações entre a China e os Estados Unidos”.

De acordo com as restrições impostas, os diplomatas chineses nos Estados Unidos precisam de receber autorização de Washington para visitar campos universitários, realizar reuniões com funcionários do Governo ou organizar eventos culturais com mais de 50 participantes.
Quando anunciou as restrições, Pompeo aludiu à reciprocidade e destacou que, quando a China permitisse aos emissários norte-americanos o mesmo acesso que os chineses tinham nos EUA, Washington retiraria as restrições, que incluem a obrigação de os diplomatas chineses informarem com antecedência este tipo de iniciativas, embora até agora pudessem ser realizadas sem autorização.

As relações diplomáticas entre Pequim e Washington passaram por um momento delicado depois dos EUA terem ordenado o encerramento do consulado chinês em Houston, Texas, ao qual a China respondeu fechando o consulado dos EUA em Chengdu, no centro do país.

Acordo nuclear com o Irão

Moscovo e Pequim rejeitam as acções dos EUA contra o acordo nuclear com o Irão, disse, ontem, o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, numa conferência de imprensa conjunta com o homólogo chinês, Wang Yi. “Debatemos a situação em relação ao Plano de Acção Conjunto Global (designação do acordo do Irão com as grandes potências de 2015) e, claro, a Rússia e a China, como a maioria dos membros do Conselho de Segurança da ONU, não aceitarão as tentativas norte-americanas de desmantelar este importantíssimo acordo internacional”, indicou Lavrov.

 



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